quinta-feira, junho 4, 2026

Por que a nova reforma da Previdência precisa ser pensada agora, diante da alta informalidade, benefícios atrelados ao salário mínimo e envelhecimento da população

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A pressão sobre o RGPS e a necessidade de mudança no modelo de custeio tornam a reforma da Previdência um tema urgente para evitar rombos fiscais crescentes

A discussão sobre uma nova reforma da Previdência volta à agenda por causa de três fatores que se combinam e pioram as contas públicas, apesar da última mudança em 2019.

Alta informalidade e novas ocupações que não contribuem, benefícios indexados ao salário mínimo com ganhos reais, e o envelhecimento populacional, somado à queda da natalidade, formam um cenário que pressiona receitas e eleva despesas.

No conjunto, esses fatores tornam a reforma da Previdência um tema que precisa ser repensado para preservar a sustentabilidade fiscal e a capacidade de pagamento das aposentadorias no futuro, conforme informação divulgada pelo g1.

Receitas caem e despesas sobem, com impacto direto no RGPS

Em 2025, a diferença entre o que foi arrecadado e o que o governo federal teve que colocar a mais para para pagar benefícios, aposentadorias e pensões foi de R$ 436 bilhões, e a maior parte desse dinheiro foi para cobrir o déficit do RGPS, mais de R$ 320 bilhões, R$ 17 bilhões a mais do que em 2024.

O quadro se explica pela alta informalidade e pelo surgimento de ocupações que não recolhem para a Previdência, como trabalhadores de aplicativo, e pela política de valorização do salário mínimo, já que mais de 60% dos benefícios são indexados ao piso nacional, elevando as despesas em ritmo superior ao da inflação.

Como alerta Bernardo Schettini, consultor do Senado, “É um desafio bem complicado. Nesse modelo que a gente tem hoje, não vejo sustentabilidade. Acho que a gente tem que fazer uma mudança no modelo de custeio da previdência”.

Envelhecimento, demografia e a relação entre contribuintes e beneficiários

O envelhecimento da população agrava a necessidade de reforma da Previdência porque reduz a proporção de trabalhadores ativos em relação aos aposentados no sistema de repartição.

Na visão de Leonardo Rolim, consultor da Câmara dos Deputados, “Se a gente olhar para 2070, quando quem está entrando no mercado de trabalho agora provavelmente vai estar se aposentando, nós vamos mais do que dobrar novamente o número de idosos. Nós vamos ter em 2070 mais ou menos seis vezes o número de idosos que tínhamos em 2000”.

Ele também lembra que “Nos últimos 25 anos, o número de pessoas em idade ativa, potenciais contribuintes da Previdência, cresceu cerca de 30%, enquanto o total de potenciais beneficiários mais do que dobrou”.

Rolim reforça que, no sistema de repartição, haverá proporcionalmente menos contribuintes para sustentar um contingente maior de aposentados, e que “Enquanto você tem um país jovem, esse modelo funciona muito bem. Enquanto você tem com essa que eu te falei das próximas décadas, essa conta não fecha, porque você vai ter contribuições muito altas ou então aposentadorias em valores muito baixos para ser viável”, explicou.

Crescimento do número de benefícios e impacto fiscal

O aumento do volume de benefícios é outro motor da pressão fiscal que exige uma nova reforma da Previdência. Pedro Souza, analista da Instituição Fiscal Independente, aponta que “O total, há 10 anos, em 2015, era de 28,3 milhões de beneficiários. Atualmente, em 2025, totalizou 35,2 milhões. Quando se olha o crescimento, anualmente, o volume de benefícios emitidos é de 2,21% a.a., em média”.

O crescimento das despesas ficou muito acima da receita, e isso se reflete no déficit: em valores de janeiro de 2026, “o déficit da previdência saiu de R$ 147,5 bilhões em 2015 para R$ 323,1 bilhões em 2025”, e a despesa total atingiu R$ 1,04 trilhão em 2025.

Segundo a IFI, a receita do RGPS cresceu em média 1,82% a.a., em termos reais, nos últimos 10 anos, enquanto a despesa cresceu cerca de 3,37% a.a., e esse descompasso torna a reforma da Previdência uma prioridade pelo lado do custeio.

O que precisa ser repensado e quais caminhos estão na mesa

O próprio governo reconhece a necessidade de discutir novas mudanças, com membros do Tesouro afirmando que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que o tema precisará ser debatido.

Entre os pontos que costumam aparecer nas propostas estão ajustes nas regras de contribuição, revisão de benefícios indexados ao salário mínimo, incentivos à formalização do trabalho, e mudanças no modelo de custeio para garantir sustentabilidade no longo prazo.

A reforma da Previdência terá de conciliar proteção social e equilíbrio fiscal, por isso o debate deve considerar impactos demográficos, padrões de trabalho contemporâneos e a distribuição das despesas entre governos e gerações futuras, para evitar que o déficit continue crescendo nas próximas décadas.

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