Nas próximas décadas, a nova reforma da Previdência terá de enfrentar informalidade crescente, benefícios indexados ao salário mínimo, e o envelhecimento demográfico para frear déficit
A necessidade de uma nova reforma da Previdência reaparece menos de dez anos após a última mudança, por causa de três fatores que se combinam e aperiam as contas públicas.
Alta informalidade e transformações no trabalho reduzem a arrecadação, benefícios indexados ao salário mínimo ampliam despesas, e o envelhecimento da população eleva o número de beneficiários.
No texto a seguir, explicamos por que esses elementos tornam urgente repensar o modelo de custeio do sistema e quais pontos devem aparecer em qualquer proposta futura, com dados e declarações de especialistas citados nas fontes.
conforme informação divulgada pelas fontes enviadas
Por que o rombo cresce
Em 2025, a diferença entre o que foi arrecadado e o que o governo federal teve que colocar a mais para para pagar benefícios, aposentadorias e pensões foi de R$ 436 bilhões. A maior parte desse dinheiro foi para cobrir o déficit do RGPS, mais de R$ 320 bilhões – R$ 17 bilhões a mais do que em 2024.
O cenário combina menos arrecadação com despesas em alta, criando um déficit que tende a crescer se não houver mudanças no modelo de financiamento, segundo técnicos consultados nas fontes.
Informalidade e o mercado de trabalho
A retração da arrecadação se relaciona com a alta informalidade e com novas formas de ocupação que não contribuem para a Previdência, como trabalhadores de aplicativo.
Bernardo Schettini, consultor do Senado, ressaltou que a política de valorização do salário mínimo eleva as despesas em ritmo superior ao da inflação, porque mais de 60% dos benefícios são indexados ao piso nacional, e afirmou, “É um desafio bem complicado. Nesse modelo que a gente tem hoje, não vejo sustentabilidade. Acho que a gente tem que fazer uma mudança no modelo de custeio da previdência”.
Impacto dos benefícios indexados ao salário mínimo
O fato de muitos benefícios seguirem o salário mínimo amplia o efeito dos aumentos do piso sobre as despesas totais. Quando o piso sobe acima da inflação, as despesas crescem mais rápido que as receitas, pressionando diretamente o déficit do RGPS.
Especialistas indicam que qualquer proposta de nova reforma da Previdência terá de avaliar a relação entre piso, benefícios e reajustes para evitar que gastos crescentes tornem o sistema insustentável.
O desafio demográfico e projeções futuras
O envelhecimento da população agrava o problema. Leonardo Rolim, consultor da Câmara dos Deputados, alertou, “Se a gente olhar para 2070, quando quem está entrando no mercado de trabalho agora provavelmente vai estar se aposentando, nós vamos mais do que dobrar novamente o número de idosos. Nós vamos ter em 2070 mais ou menos seis vezes o número de idosos que tínhamos em 2000”.
Rolim destacou ainda que, “Nos últimos 25 anos, o número de pessoas em idade ativa, potenciais contribuintes da Previdência, cresceu cerca de 30%, enquanto o total de potenciais beneficiários mais do que dobrou”, criando um descompasso entre contribuintes e beneficiários no sistema de repartição.
Crescimento do volume de benefícios e trajetória do déficit
Dados da Instituição Fiscal Independente mostram aumento do volume de benefícios, “O total, há 10 anos, em 2015, era de 28,3 milhões de beneficiários. Atualmente, em 2025, totalizou 35,2 milhões. Quando se olha o crescimento, anualmente, o volume de benefícios emitidos é de 2,21% a.a., em média”.
Em valores de janeiro de 2026, segundo a mesma fonte, o déficit da previdência saiu de R$ 147,5 bilhões em 2015 para R$ 323,1 bilhões em 2025, enquanto a despesa total atingiu R$ 1,04 trilhão em 2025.
A receita do RGPS cresceu em média 1,82% a.a. em termos reais na última década, enquanto a despesa cresceu cerca de 3,37% a.a., um ritmo quase duas vezes maior, conforme os dados citados.
O que uma nova reforma da Previdência precisará abordar
Especialistas ouvidos nas fontes defendem que a reforma deve mirar o modelo de custeio, formas de inclusão de trabalhadores informais e de ocupações sem recolhimento, e a revisão das regras de indexação de benefícios.
Sem mudanças, as projeções apontam para um déficit crescente ao longo das próximas décadas, com menos contribuintes para sustentar um contingente cada vez maior de aposentados, o que torna a discussão sobre a nova reforma da Previdência uma prioridade para a sustentabilidade fiscal futura.