Queda no preço do cacau recebido por produtores não deve reduzir o preço do chocolate nas prateleiras da Páscoa, por causa de estoques, custos industriais e prazo entre safra e produção
Produtores no campo têm registrado queda no preço do cacau, mas a mudança ainda não chega ao consumidor final. A dinâmica entre safra, estoques e indústria cria um descompasso entre o valor pago ao agricultor e o preço do produto nas lojas.
Distribuidores e fabricantes já compraram parte das amêndoas que serão usadas na fabricação para a Páscoa, e esses contratos e estoques seguram o valor do chocolate nas prateleiras. Além disso, custos de processamento, logística e insumos pesam na formação do preço.
Governo, importações e oferta global também entram na equação, porém as medidas recentes não devem criar falta de matéria-prima no país, conforme informação divulgada pelo g1
O que diz a medida sobre importações
“Governo brasileiro proibiu importação de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial, mas medida não vai gerar falta de amêndoa e nem impactar preço. Entenda quando o chocolate pode baratear.” A afirmação, divulgada pelo g1, resume o posicionamento oficial sobre a proibição temporária, que atinge um dos maiores produtores globais.
Especialistas consultados pela reportagem avaliam que, mesmo com a restrição, há estoques domésticos e compras de outros fornecedores que garantem oferta, então não deve haver desabastecimento imediato.
Por que o preço do cacau caiu no campo
A queda do preço do cacau ao produtor costuma refletir fatores safristas, como aumento da produção, colheita concentrada e variação cambial, que pressionam o valor recebido no campo. Essas flutuações ocorrem antes da negociação industrial e comercial.
Além disso, produtores podem enfrentar custos fixos altos, o que faz com que a redução do preço pago ao agricultor não seja suficiente para reduzir de imediato o preço final do produto industrializado.
Por que o chocolate seguirá caro na Páscoa
O preço do chocolate ao consumidor envolve mais do que a cotação do cacau, inclui transformação, embalagem, transporte e margens comerciais. Esses elementos criam um efeito de atraso, então uma baixa no campo leva tempo para refletir nas prateleiras.
Na véspera da Páscoa, fabricantes e varejistas costumam trabalhar com estoques comprados meses antes, portanto a queda recente no preço do cacau dificilmente reduzirá preços sazonais já definidos.
Quando o chocolate pode baratear
Para que o chocolate fique mais barato, é preciso uma queda sustentada no preço do cacau, redução dos custos industriais e pressionamento das margens por concorrência. Mesmo assim, o efeito pode demorar meses, por conta de contratos e estoques.
Consumidores podem ver alívio após a Páscoa, se a tendência de baixa se mantiver e se outras variáveis, como câmbio e energia, também contribuírem para reduzir o custo total de produção.