Safra em Itapetininga começou em dezembro e segue até maio, produtores como José Ronaldo Serigioli e Daniel Nache intensificam manejo, colheita e adubação para driblar as chuvas
A produção de figo na região de Itapetininga enfrenta uma temporada atípica por causa da chuva que chegou mais cedo em 2026, e quem planta no Sudoeste de São Paulo precisa ajustar rotinas para não perder rendimento.
Produtores locais adotam medidas práticas no campo, como aplicação de cal, colheita manual mais frequente e cuidado com adubação, buscando manter a qualidade dos frutos e a rentabilidade da safra.
As estratégias, combinadas com atenção no pós‑colheita, são vistas como essenciais para competir com outras regiões e com o mercado externo, e para tentar garantir vendas até o fim da safra, no início de maio, conforme informação divulgada pelo g1.
Como produtores adaptam o manejo
Na rotina de quem planta há poucos anos, o trabalho é intenso e envolve práticas simples, mas eficazes. O produtor José Ronaldo Serigioli acorda às 5h da manhã para colher manualmente, duas vezes por semana, os frutos de 200 pés distribuídos em 2 mil metros quadrados.
Para fortalecer as árvores, José Ronaldo aplica cal nas figueiras e mantém a colheita sob vigilância constante, com o objetivo de evitar perdas causadas pela umidade e pelo excesso de chuva.
Colheita diária e adubação em propriedades maiores
Em Alambari, o produtor Daniel Nache trabalha em uma área de 4 mil metros quadrados com 500 pés de figueiras, e adotou a colheita diária e a intensificação da adubação para reduzir riscos durante os períodos mais chuvosos.
Daniel estima colher cerca de 7,5 toneladas até maio, enquanto José Ronaldo projeta aproximadamente duas toneladas na propriedade, metas que dependem do controle das doenças e da manutenção da qualidade do fruto.
Dados de produtividade e desafios de mercado
Dados da Produção Agrícola Municipal apontam que, em 2024, o município registrou produtividade de 17 toneladas por hectare. Ainda assim, produtores destacam que o principal desafio é a concorrência com outras regiões e o mercado externo.
Para muitos, a saída é apostar na qualidade e na fidelização do consumidor, seja com venda em feiras locais, seja com canais diretos que valorizem o sabor e a versatilidade do figo em receitas doces e salgadas.
Perspectivas para a safra
A colheita começou em dezembro e deve seguir até abril e início de maio, mas a chuva antecipada deste ano colocou atenção extra na programação de colheitas e no manejo fitossanitário das árvores.
Produtores consultados acreditam que, com práticas de manejo adequadas e capricho na seleção dos frutos, é possível minimizar prejuízos e garantir que toneladas de figo cheguem ao mercado regional até o fim da safra.