Irã não negociará com os EUA, afirma presidente do Parlamento, enquanto negociações informais eram relatadas por Omã e EUA intensificam ação militar
O presidente do Parlamento do Irã afirmou, de forma categórica, que o país não abrirá negociações diretas com os Estados Unidos, apesar de sinais de interlocução por intermediários.
Ao mesmo tempo, o governo dos EUA diz que continuará a campanha militar até atingir seus objetivos, e Omã relata disposição de Teerã para esforços sérios de redução da tensão.
As declarações contraditórias e as ameaças públicas elevam o risco de escalada na região, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse Larijani sobre negociações
Ali Ardeshir Larijani escreveu em sua conta na rede social X, de forma direta, “Não negociaremos com os Estados Unidos”, negando que tenha buscado retomar conversas por meio de intermediários do Sultanato de Omã.
Em outra publicação, Larijani acusou o presidente dos EUA de ter provocado caos regional, afirmando que “Trump mergulhou a região no caos com suas ‘fantasias delirantes’ e agora teme mais baixas entre as tropas americanas”.
O parlamentar também disse, em tradução para o português, que Trump transformou o slogan “América Primeiro” em “Israel Primeiro” e que os militares iranianos não iniciaram a agressão.
Posição dos EUA e as declarações de Donald Trump
O presidente Donald Trump publicou um pronunciamento afirmando que a campanha dos EUA “vai continuar até que todos os objetivos militares dos EUA sejam atingidos”.
Trump também declarou que os EUA vão vingar a morte dos três militares mortos durante a retaliação iraniana, e direcionou uma ameaça aos integrantes das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária do Irã, afirmando, em suas palavras, “Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”.
Em entrevistas, Trump disse ainda que o conflito poderia durar cerca de quatro semanas, repetindo que “Sempre foi um processo de quatro semanas”.
Omã e a oferta de mediação de Teerã
O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, relatou ter recebido do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, a informação de que Teerã estaria aberto a “esforços sérios” para reduzir a tensão após os ataques israelenses e norte-americanos.
Omã, que tem atuado como mediador em negociações anteriores entre EUA e Irã, defendeu um cessar-fogo e a retomada do diálogo “de maneira que atenda às demandas legítimas de todas as partes”, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Omã.
Impacto dos ataques e números citados
Relatos da imprensa iraniana, com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho, apontam que os ataques deixaram 201 mortos e 747 feridos.
O ataque conjunto de EUA e Israel na manhã de sábado atingiu alvos considerados estratégicos pelo governo israelense, e, em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.
Autoridades americanas disseram que nenhum militar dos EUA foi ferido nas ações, e que os danos às bases foram mínimos. O fechamento do Estreito de Ormuz por motivos de segurança também foi reportado por agências iranianas, elevando preocupações sobre o impacto no tráfego de petróleo.
Enquanto isso, líderes regionais e internacionais seguem em alerta, e a possibilidade de negociações, mesmo mediadas por terceiros, permanece incerta diante da declaração firme de Larijani de que o Irã não negociará com os EUA.