Conflito entre EUA, Israel e Irã pode fazer barril subir para US$85-US$90, encarecer seguros e reduzir oferta global entre 8 e 10 milhões de barris por dia
O avanço militar e as respostas no Oriente Médio têm efeito direto nos mercados de energia e no comércio global.
Analistas alertam que a escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã pode provocar alta forte nos combustíveis, pressionando inflação e setores sensíveis a custo de transporte.
Conforme informação divulgada pelo g1, a combinação de riscos geopolíticos e receio sobre rotas marítimas reduzidas já afeta preços e seguros.
Como a guerra pressiona o preço do petróleo
O impacto imediato é no mercado de energia, com expectativa de alta quando os mercados reabrirem, entre domingo à noite e segunda-feira.
Segundo Amena Bakr, especialista da Kpler, “o preço do barril pode subir para entre US$ 85 e US$ 90 já nesta segunda-feira. Na sexta-feira, estava em US$ 72; no início do ano, em US$ 61.” Essas referências mostram a rapidez da alta.
Michelle Brouhard, também da Kpler, afirma que o Irã pode tentar manter os preços elevados para pressionar Washington, o que ampliaria a duração do choque nos mercados.
Risco ao tráfego no Estreito de Ormuz e oferta
O agravamento do conflito coloca em risco o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o que eleva custos de seguro e faz grandes empresas evitarem a rota.
Mesmo com rotas alternativas, a Rystad Energy estima que “a redução no fornecimento pode variar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia”, uma redução relevante para a oferta disponível globalmente.
Consequências para a economia global e setores
Para Eric Dor, professor da IESEG School of Management, um período prolongado de preços elevados pode gerar “efeito recessivo”, com impacto sobre combustíveis, energia, transporte marítimo e companhias aéreas.
Setores ligados a defesa podem registrar valorização em bolsas, enquanto transporte, turismo e logística tendem a sofrer perdas com custos maiores e queda de demanda em alguns mercados.
Contexto político e militar
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o país mobiliza “toda a força de seu Exército” na ação conjunta com os Estados Unidos, e disse que as forças atacam “o coração de Teerã com intensidade crescente”, com ofensivas que devem se ampliar nos próximos dias.
No mesmo cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que aceitou conversar com os novos líderes iranianos, e em entrevista à “Fox News” minimizou o impacto da alta dos combustíveis, afirmando que, sem os ataques, o Irã teria uma arma nuclear “em menos de duas semanas”.
Conforme informação divulgada pelo g1, ataques de Teerã mataram ao menos três soldados americanos e nove civis israelenses, e a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, intensificou a escalada.
O desenrolar do conflito entre EUA, Israel e Irã continuará a ser fator determinante para preços de energia, seguros de embarcações e a estabilidade de cadeias logísticas globais, com impactos que podem se estender além do setor energético.