Estatais federais enfrentam o maior déficit desde 2009, com saída de Petrobras e Eletrobras do indicador, aumento de investimentos e a crise dos Correios pressionando contas
O rombo acumulado das estatais federais atingiu R$ 6,3 bilhões no ano, um recorde que acende alerta sobre o impacto dessas empresas nas contas públicas.
A leitura reúne déficits registrados até novembro e mostra uma reversão forte em relação a anos recentes, com efeitos diretos sobre o debate sobre aportes e empréstimos.
Os números e declarações que explicam esse movimento combinam aumento de investimentos e a crise de companhias como os Correios, em destaque na agenda econômica e política, conforme informação divulgada pelo g1.
Contexto e metodologia do indicador
A comparação começou em 2009, quando o cálculo mudou para desconsiderar grandes empresas federais como Petrobras e Eletrobras. Elas saíram do indicador porque têm regras diferenciadas e se assemelham a empresas privadas de capital aberto. Essa alteração explica parte das mudanças na série histórica, e ajuda a contextualizar por que o resultado atual é lido com atenção pelo governo e analistas.
Além disso, o governo tem afirmado que o aumento desse déficit é explicado, em parte, pelo aumento dos investimentos feitos pelas empresas estatais federais, medida que tende a elevar gastos no curto prazo, mesmo quando visa geração de retorno no futuro.
Números recentes que ilustram a mudança
No acumulado até novembro do ano passado, as estatais federais haviam registrado déficit de R$ 6 bilhões. No mesmo período de 2023, o saldo negativo foi de R$ 343 milhões. Já em 2022 e 2021, por exemplo, o saldo foi superavitário em R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente.
Esses dados mostram a intensidade da piora recente, e ajudam a explicar o alarme criado em torno do resultado de R$ 6,3 bilhões no ano.
Crise dos Correios e pedidos de socorro
Nesta segunda-feira (29), o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a companhia precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira. O executivo detalhou um plano de reestruturação e disse que a melhor forma de obtenção desses recursos está em análise e ainda será definida.
Segundo a avaliação da estatal, a captação poderá ocorrer por meio de aportes de verbas públicas do Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo. Recentemente, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias, para quitar dívidas e aliviar o caixa.
O próprio histórico recente dos Correios mostra dificuldades de acesso a recursos maiores, já que a ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.
Impacto fiscal e cenário à frente
O aumento do déficit das estatais federais coloca pressão sobre o debate fiscal, porque decisões sobre aportes e garantias afetam diretamente o orçamento do Tesouro Nacional.
Analistas apontam que a combinação entre investimentos elevadas e empresas em situação crítica, como os Correios, deve manter a questão na agenda, com risco de novos pedidos de socorro e discussão sobre como financiar a reestruturação sem comprometer a trajetória fiscal.