quinta-feira, junho 4, 2026

Estatais federais registram rombo recorde de R$ 6,3 bilhões em 2024, com crise dos Correios e investimentos pressionando as contas públicas

Share

Déficit salta em relação a 2023 e a anos anteriores, cálculo exclui Petrobras e Eletrobras desde 2009, e Correios anunciam necessidade de novos aportes e empréstimos

O conjunto de **estatais federais** registrou um rombo recorde neste ano, resultado que acende o sinal de alerta sobre a saúde financeira dessas empresas e o impacto nas contas públicas.

Parte do aumento do déficit vem do crescimento dos investimentos pelas próprias estatais, mas a crise em companhias como os **Correios** agravou o quadro, segundo apurações recentes.

Nas próximas seções, explicamos como mudou a metodologia de cálculo, quais empresas pesaram mais no resultado e quais são as alternativas de financiamento cotadas pelo governo e pelas estatais.

conforme informação divulgada pelo g1

Como o cálculo mudou desde 2009

A comparação começou em 2009, quando o cálculo mudou para desconsiderar grandes empresas federais como **Petrobras** e **Eletrobras**, elas saíram do indicador porque têm regras diferenciadas e se assemelham a empresas privadas de capital aberto, segundo as informações divulgadas.

Com essa mudança, o indicador passou a refletir de forma mais direta o desempenho das demais estatais federais, tornando mais evidente o efeito de investimentos e das operações deficitárias sobre o saldo consolidado.

Impacto da crise dos Correios

Na ponta que mais pressionou o resultado, a situação dos **Correios** chamou atenção. Nesta segunda-feira (29), o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a companhia precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira, conforme divulgado.

Rondon detalhou que a melhor forma de obtenção desses recursos está em análise e ainda será definida, e que a captação poderá se dar por meio de aportes de verbas públicas do Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo.

Na semana passada, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias, para quitar dívidas e aliviar o caixa, e a ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.

Dados e comparação com anos anteriores

O acumulado do ano chegou a um déficit de R$ 6,3 bilhões, um salto frente ao ano anterior. No acumulado até novembro do ano passado, as estatais federais haviam registrado déficit de R$ 6 bilhões. No mesmo período de 2023, o saldo negativo foi de R$ 343 milhões.

Para dimensionar a mudança recente, já em 2022 e 2021, por exemplo, o saldo foi superavitário em R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente, o que mostra a virada no resultado fiscal do grupo.

O governo tem afirmado que o aumento desse déficit é explicado, em parte, pelo aumento dos investimentos feitos pelas empresas estatais federais, indicação de que parte do rombo reflete despesas de capital e não apenas perdas operacionais.

O que vem a seguir

O principal desafio agora é conciliar a necessidade de recursos dessas empresas com a pressão sobre o orçamento público. No caso dos Correios, a decisão entre aportes do Tesouro ou novos empréstimos terá impacto direto no déficit consolidado das estatais federais.

Analistas e gestores acompanharão os desdobramentos da reestruturação das empresas, a evolução das receitas e a decisão sobre financiamentos, que vão definir se o rombo será contido nos próximos meses, ou se o déficit continuará a crescer.

Leia Mais

Fique por dentro