Dados do Caged mostram 1,980 milhão de contratações e 1,894 milhão de demissões em novembro, com alta do salário médio de admissão para R$ 2.310,78
A economia brasileira gerou 85,9 mil empregos formais em novembro, número que sinaliza uma desaceleração na criação de vagas com carteira assinada no fim do ano, e que vem abaixo do registrado em 2024.
O resultado de novembro representa um recuo de 19,1% em relação a novembro do ano passado, quando foram criados cerca de 106,1 mil empregos com carteira assinada, e foi qualificado como o pior novembro desde 2020, quando começou a nova série do Caged.
No acumulado de janeiro a novembro, o país registrou 1,9 milhão de novas vagas formais, patamar inferior ao observado no mesmo período de 2024, indicando desaceleração do mercado de trabalho, conforme informação divulgada pelo g1.
Contratações e desligamentos em novembro
Segundo o governo federal, foram registradas em novembro 1,980 milhão de contratações, e 1,894 milhão de demissões. Em outro recorte da divulgação, o texto aponta que, ao todo, em novembro foram registradas 1,9 milhão de admissões e 1,81 milhão de desligamentos.
Esses números refletem um mês com fluxo intenso de movimentação no mercado formal, mas com saldo líquido menor do que em anos recentes, e com impacto direto no saldo final de empregos formais.
Setores, saldo e comparações históricas
Os dados do Caged apontam que apenas dois dos cinco setores registraram criação de vagas em novembro, comércio e serviços, enquanto indústria, construção e agropecuária apresentaram perdas. Comércio teve 78,2 mil novas vagas, serviços 75,1 mil, agropecuária fechou 16,6 mil vagas, construção registrou 23,8 mil desligamentos, e indústria teve 27,1 mil postos fechados.
O relatório também afirma que “Esse foi o pior resultado para meses de novembro desde o início da série histórica do novo Caged, em 2020”, o que coloca o desempenho deste novembro em perspectiva com os anos anteriores da série recente.
Regiões e salário médio de admissão
As vagas foram abertas em quatro das cinco regiões do país, com queda apenas no Centro Oeste. Sudeste teve saldo positivo de 43,3 mil, Nordeste 35,6 mil, Sul 11,6 mil, Norte 6 mil, e Centro Oeste registrou 10,8 mil postos fechados.
O governo informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.310,78 em novembro, valor que representa alta real em relação a novembro do ano passado, quando o salário médio de admissão foi de R$ 2.242,83.
Acumulação anual, avaliação do governo e perspectivas
No acumulado de janeiro a novembro, foram criados 1,9 milhão de empregos formais, número que representa queda de 10,9% na comparação com o mesmo período de 2024, quando foram abertas 2,12 milhões de vagas com carteira assinada.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, avaliou que o saldo de novembro “não surpreende, apesar da queda em relação a anos anteriores”, e relacionou a desaceleração do mercado de trabalho ao desaquecimento da economia e às altas taxas de juros.
Marinho ainda afirmou, na íntegra, “Mas acredito que ano que vem é cenário para redução de juros. (O Banco Central) ter mantido os juros já é uma certa agressão no cenário econômico. Espero redução de juros para ajudar na continuidade de crescimento”, citando impactos setoriais do tarifaço em ramos como calçados e madeira.
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram apenas trabalhadores com carteira assinada, e por isso não são comparáveis com a Pnad do IBGE, que inclui ocupações informais, ressalta a divulgação.