Mercado de trabalho registra o menor saldo para novembro desde 2020, com desaceleração na criação de empregos formais e efeitos setoriais atribuídos à alta dos juros
O Brasil registrou uma desaceleração na criação de vagas com carteira assinada em novembro, resultado que surpreende pelo recuo em relação ao ano anterior e pelo histórico recente do Caged.
O saldo do mês refletiu um aumento nas demissões em alguns setores e a manutenção de contratações em poucos ramos, com impacto claro em regiões industriais específicas.
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado de novembro, números exatos e comparação histórica
Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas em novembro 1,980 milhão de contratações e 1,894 milhão de demissões, com saldo de 85,9 mil vagas formais no mês. O resultado representa um recuo de 19,1% em relação a novembro do ano passado, quando foram criados cerca de 106,1 mil empregos com carteira assinada.
Esse foi o pior resultado para meses de novembro desde o início da série histórica do novo Caged, em 2020. Veja os resultados para os meses de novembro: 2020: 376,4 mil vagas abertas;2021: 314,1 mil empregos criados;2022: 127,9 mil vagas abertas;2023: 121,4 mil vagas abertas;2024: 106,1 mil novas vagas;2025: 85,9 mil postos de trabalho formais criados.
Setores e regiões, onde houve ganhos e perdas
Os dados do Caged mostram que houve geração de empregos formais em apenas dois dos cinco setores da economia em novembro. O comércio foi o destaque positivo, enquanto a indústria concentrou as maiores perdas.
Comércio: 78,2 mil novas vagas, Serviços: 75,1 mil empregos criados, Agropecuária: 16,6 mil vagas fechadas, Construção: 23,8 mil desligamentos, Indústria: 27,1 mil postos fechados.
Por região, foram abertas vagas em quatro das cinco grandes áreas do país, com queda apenas no Centro Oeste. Sudeste: 43,3 mil, Nordeste: 35,6 mil, Sul: 11,6 mil, Norte: 6 mil, Centro Oeste: 10,8 mil postos fechados.
Parcial do ano e tendência, o que os números mostram
De janeiro a novembro deste ano, 1,9 milhão de empregos formais foram criados no país. Esse número representa queda de 10,9% na comparação com o mesmo período de 2024, quando foram abertas 2,12 milhões de vagas com carteira assinada.
Essa foi a menor geração de empregos para os onze primeiros meses de um ano desde 2023, quando foram abertas 1,78 milhão de vagas formais, apontando para uma tendência de desaceleração do mercado de trabalho.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, comentou que o saldo de novembro não surpreende, apesar da queda, e destacou o papel da indústria no resultado. Segundo ele, a desaceleração reflete o desaquecimento da economia e as altas taxas de juros, e afirmou, “Mas acredito que ano que vem é cenário para redução de juros. (O Banco Central) ter mantido os juros já é uma certa agressão no cenário econômico. Espero redução de juros para ajudar na continuidade de crescimento”.
Salário médio de admissão e observações metodológicas
O governo informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.310,78 em novembro deste ano, o que representa alta real em relação a novembro do ano passado, quando o valor foi de R$ 2.242,83.
É importante lembrar que os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram apenas trabalhadores com carteira assinada, portanto não incluem informais e não são comparáveis diretamente com as estatísticas do IBGE coletadas pela Pnad Contínua.
Em paralelo às informações do Caged, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego ficou em 5,2% em novembro, uma leitura que captura também o mercado informal e tem metodologia distinta da usada pelo Ministério do Trabalho.