Recebimento de R$ 10 bilhões ocorreu após publicação do contrato que torna o governo federal aval, consórcio bancário libera recursos, e mais R$ 2 bilhões ficam para janeiro
Os Correios receberam nesta terça o repasse de R$ 10 bilhões do empréstimo que integra um pacote de socorro financeiro destinado à recuperação da estatal.
O valor liberado este mês faz parte de um crédito total de R$ 12 bilhões, com os R$ 2 bilhões restantes previstos para janeiro, e permitiu o pagamento do salário de dezembro a todos os funcionários.
Todas as informações a seguir foram compiladas, conforme informação divulgada pelo g1.
Como foi estruturado o empréstimo e quem garante o crédito
A assinatura do contrato de empréstimo foi publicada no sábado (27), no Diário Oficial da União, e envolve um consórcio formado pelos bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, após autorização do Tesouro Nacional em 18 de dezembro, o que significa que o governo federal dá respaldo à operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito.
Segundo os números divulgados pela empresa, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada. Itaú e Santander vão emprestar outros R$ 1,5 bilhão, cada um.
O contrato prevê um prazo de carência de 3 anos, com pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029. A taxa de juros fixada foi de 115% do CDI, abaixo do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro.
Uso imediato dos recursos e medidas emergenciais
Com o repasse de R$ 10 bilhões, a estatal quitou o salário de dezembro, estimado em R$ 300 milhões. A empresa confirmou que os R$ 2 bilhões restantes devem ser pagos em janeiro.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a captação inicial visava R$ 20 bilhões, e que houve oferta nessa magnitude, mas em condições de taxa que foram consideradas elevadas, levando a ajustes no plano de financiamento.
Em suas palavras, “O plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões.”
Detalhes do plano de reestruturação
O plano apresentado pela empresa prevê cortes e vendas para reequilibrar as contas, incluindo redução de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis não operacionais no valor de R$ 1,5 bilhão e o fechamento de mil agências, das cerca de 5 mil atuais.
A companhia anunciou um programa de demissão voluntária, com a expectativa de, em até dois anos, reduzir em 15 mil o número total de funcionários, o que representaria uma queda de 18% na folha de pagamentos.
Outras metas apontadas incluem redução de custos com o plano de saúde em R$ 500 milhões anuais e corte de mil pontos de venda deficitários.
Resultado financeiro, receitas e riscos
Os Correios acumulam 12 trimestres seguidos de prejuízos, e a estatal apresentou prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025. Em 2024, o prejuízo no mesmo período tinha sido de R$ 1,3 bilhão.
Rondon alertou que “a rota precisa ser ajustada rapidamente” para evitar um possível prejuízo de R$ 23 bilhões para o ano de 2026, e disse que “Não tem mudança substancial em 2025 que vá afetar este ano. A expectativa é que ainda exista uma leve piora para 2026”.
Além das medidas de corte, os Correios projetam aumentar receitas e esperam alcançar R$ 21 bilhões em 2027, contra R$ 18,9 bilhões em 2024.
A estatal também registrou perda de participação no mercado de encomendas, saindo de 51% em 2019 para 22% atualmente, segundo dados apresentados na coletiva.
Próximos passos e alternativas de financiamento
A empresa não descartou a captação adicional de R$ 8 bilhões para concluir o plano de reestruturação, que pode vir por aportes do Tesouro Nacional ou por novo empréstimo, decisão que ainda está em análise.
Além disso, há intenção de buscar um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, com objetivo de captar recursos para automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização de TI e redesenho da malha logística, com investimento previsto de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030.
Enquanto isso, a garantia da União reduz o risco imediato para os bancos, mas transfere ao Tesouro a responsabilidade de honrar parcelas caso a estatal fique inadimplente, o que mantém o foco no curto prazo na execução das medidas de reestruturação.