quinta-feira, junho 4, 2026

Taxação sobre carne bovina anunciada pela China: Brasil minimiza impacto, Fávaro afirma ‘não é algo tão preocupante’ e negocia cotas diante da tarifa de 55%

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China vai cobrar 55% sobre importações que excederem cotas, medida por três anos a partir de 1º de janeiro de 2026, e Brasil busca transferir cotas e ampliar mercados

O governo brasileiro minimizou o efeito imediato da taxação sobre carne bovina anunciada pela China, que aplica uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem cotas. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que a decisão “não é algo tão preocupante”, e destacou que o Brasil ampliou mercados internacionais nos últimos anos.

Segundo o ministro, o país já vinha se preparando para eventuais intempéries comerciais ao abrir novas portas para a carne bovina, e atualmente exporta um montante próximo à cota chinesa de 1.106.000 toneladas. Fávaro disse ainda que vai negociar os termos da medida com autoridades chinesas nos próximos dias, e que o governo tentará transferir cotas de outros países para o Brasil.

Conforme informação divulgada pelo g1, autoridades do Ministério da Agricultura e da área internacional consideram que a medida chinesa visa proteger a produção local, e que os movimentos serão discutidos bilateralmente com a China.

O que diz o governo brasileiro

Carlos Fávaro afirmou que, no governo do presidente Lula, foram abertas 20 portas de mercado para a carne bovina, e que isso deixa o Brasil “relativamente preparado para intempéries comerciais”. O ministro lembrou que a relação entre os governos brasileiro e chinês “nunca esteve tão boa e assim vai continuar”.

Fávaro também declarou que o governo chinês já preparava uma “salvaguarda” para a carne bovina há pelo menos um ano, com o objetivo de “proteger a produção local”. Ele disse que, embora a taxação adicional não gere muita preocupação, haverá negociações para ajustar cotas ao longo do ano.

Detalhes da medida chinesa

O Ministério do Comércio da China informou que a cota total para 2026, referente aos países incluídos nas novas medidas, será de 2,7 milhões de toneladas, e que a cota total irá aumentar ano a ano. A sobretaxa adicional de 55% sobre exportações que ultrapassarem as cotas começa a valer em 1º de janeiro de 2026, e terá duração de três anos.

Autoridades chinesas afirmaram que as tarifas ajudam a conter a redução do rebanho bovino local e dão tempo para ajustes das empresas nacionais, e analistas estimam uma provável redução das importações chinesas de carne bovina em 2026.

Reações do setor e argumentos técnicos

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Abiec, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA, emitiram nota dizendo que a medida “altera as condições de acesso ao seu mercado e impõe uma reorganização dos fluxos de produção e de exportação”.

O secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, afirmou que a decisão “não é uma notícia catastrófica”, e que a medida é “não é algo contra o Brasil, mas, sim, contra todo o mundo, para favorecer o produtor local chinês”. Rua acrescentou que “Pra definir a cota, o governo chinês analisou as importações entre meados de 2021 e meados de 2024. Nesse período, o Brasil teve 44% de share (participação) no mercado chinês. O que for acima disso será sobretaxado”.

Próximos passos e negociações

O ministro Fávaro indicou que buscará, nas próximas semanas, negociar com a China a transferência de cotas que eventualmente não tenham sido usadas por outros fornecedores, observando que “Por exemplo, os Estados Unidos não exportaram para a China no ano passado. [Vamos ver] se a gente pode cumprir a cota de outro país. São negociações que vão ocorrendo. Lembrando que não precisa ser imediato, a gente vai gradativamente durante o ano fazendo as negociações e fazendo os ajustes”.

Em resumo, a taxação sobre carne bovina anunciada pela China impõe um novo cenário para exportadores, mas o governo brasileiro avalia que existe margem para negociação e adaptação, com foco em preservar acesso ao mercado chinês e em priorizar a ampliação de outros destinos comerciais.

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