Prazo expira à meia-noite de 1º de janeiro, governo diz que regras visam impedir que terroristas explorem a ajuda, e nações e a ONU pedem manutenção da assistência humanitária
A medida anunciada por Israel ameaça impedir a entrada em Gaza de 37 ONGs caso elas não forneçam listas de nomes de funcionários palestinos até a noite de ano novo.
Organizações humanitárias, entre elas a Médicos Sem Fronteiras, alertam que a suspensão pode comprometer o envio de alimentos e os atendimentos médicos em um território já devastado.
As informações acima foram divulgadas pelo g1, e mostram risco imediato à operação de socorro em Gaza, conforme informação divulgada pelo g1
O que o governo israelense alega
O Executivo israelense estabeleceu a data de 1º de janeiro como limite para que as ONGs registrem e entreguem dados de seus funcionários palestinos, com a justificativa de evitar que grupos terroristas se beneficiem da ajuda internacional.
O porta-voz Gilad Zwick afirmou à AFP que algumas organizações se recusam a enviar listas por suposto envolvimento de funcionários com o Hamas, e declarou, em trecho citado, “Duvido que o que não fizeram durante dez meses o façam em menos de doze horas”, questionando a possibilidade de cumprimento imediato das novas regras.
Especificamente, Israel acusou a Médicos Sem Fronteiras de ter funcionários ligados a grupos como o Hamas e a Jihad Islâmica, alegação que a ONG tem contestado enquanto solicita permissão para manter operações médicas.
Reações internacionais e o apelo de ONGs
Nove países, incluindo Reino Unido e França, e posteriormente a Suíça, emitiram comunicados manifestando preocupação com a decisão e pediram que Israel mantenha o trabalho das organizações humanitárias.
A União Europeia e o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos também reagiram. Volker Türk afirmou, em comunicado, “Relembro às autoridades israelenses sua obrigação, segundo o direito internacional, de garantir o fornecimento de itens essenciais à vida diária em Gaza, inclusive permitindo e facilitando a ajuda humanitária”, classificando a suspensão como ultrajante.
A autoridade da União Europeia para questões humanitárias, Hadja Lahbib, criticou as exigências, afirmando que a lei de registro atual bloqueia a chegada de ajuda vital à população e ressaltou que o Direito Internacional Humanitário não deixa dúvidas sobre a necessidade de assistência.
A Médicos Sem Fronteiras fez um apelo público para continuar suas operações na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, alertando que a medida impactará “cuidados de saúde vitais” para centenas de milhares de pessoas em 2026, segundo a própria organização.
Impacto prático, números e risco humanitário
A crise chega no inverno, com tempestades que destruíram milhares de tendas, e coloca ainda mais pressão sobre serviços básicos. Cerca de 1,3 milhão de pessoas em Gaza precisam de apoio urgente para alojamento e moradia.
O acordo de cessar-fogo firmado em outubro previa a entrada diária de 600 caminhões com suprimentos, entretanto analistas estimam que, na prática, apenas entre 100 e 300 caminhões estão cruzando a fronteira por dia.
Se a proibição for confirmada quando o prazo expirar, organizações como Oxfam, CARE, World Vision International e a própria MSF figuram entre as afetadas, e isso pode comprometer profundamente o envio de alimentos, medicamentos e atendimento hospitalar em todo o território.
Palestinos, Hamas e o cenário à frente
O Hamas reagiu classificando a decisão de Israel como um “comportamento criminoso” e como um “desprezo flagrante pelo sistema humanitário”, ressaltando que a medida agrava a situação já crítica da população civil.
Analistas e representantes humanitários avisam que qualquer interrupção prolongada no trabalho das ONGs em Gaza terá efeitos imediatos sobre a fome, os cuidados de saúde e as condições de abrigo, enquanto as necessidades básicas aumentam com o inverno.
Nos próximos dias, autoridades e organizações internacionais devem intensificar negociações para evitar um colapso da assistência, enquanto a contagem regressiva para o prazo definido por Israel segue até a meia-noite de 1º de janeiro.