quinta-feira, junho 4, 2026

Brasil vai negociar com a China para mitigar efeitos da taxação da carne, cotas e sobretaxas para 2026 podem reduzir até US$ 3 bilhões nas exportações

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Governo prevê diálogo bilateral e na OMC, busca transferência de cotas não utilizadas e apoio ao setor diante da nova regra chinesa que entra em vigor em 1º de janeiro de 2026

O governo brasileiro anunciou que vai dialogar com a China para tentar mitigar os efeitos da taxação da carne determinada por Pequim, que inclui cotas e sobretaxas para importação de carne bovina a partir de 2026.

A medida chinesa estabelece uma cota anual inicial para o Brasil e tarifas adicionais sobre volumes que excederem esse limite, o que preocupa produtores e frigoríficos, segundo entidades do setor.

O Executivo informou que acompanhará o tema de forma coordenada com o setor privado e atuará tanto no plano bilateral quanto no âmbito da OMC, conforme informação divulgada pelo g1.

O que muda com as cotas e as tarifas chinesas

A China definiu uma cota global de importação de carne bovina de 2,7 milhões de toneladas para 2026, com aumento gradual nos anos seguintes, e dividiu volumes por país. Para o Brasil, a cota anual inicial é de 1,1 milhão de toneladas, abaixo do volume exportado ao mercado chinês em 2025, quando foram embarcadas 1,52 milhão de toneladas até novembro, segundo dados citados pela reportagem.

Dentro da cota haverá cobrança de uma tarifa de 12% sobre as importações, e as exportações que ultrapassarem o limite estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Abiec, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA.

Impacto esperado no setor brasileiro

A China respondeu por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, sendo destino de 48% do volume exportado e responsável por 49,9% do faturamento do setor, o equivalente a US$ 8,08 bilhões, conforme os números citados.

Entidades do setor avaliam que a taxação da carne exigirá ajustes ao longo de toda a cadeia produtiva. A Associação Brasileira de Frigoríficos, Abrafrigo, estima que a decisão pode resultar em perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026.

Posição e estratégia do governo

Em nota, o governo ressaltou que “As medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da OMC e aplicados às importações de todas as origens” e que atuará para reduzir o impacto da decisão e defender os interesses de trabalhadores e produtores do setor.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, avaliou que, de forma geral, a decisão chinesa “não é algo tão preocupante“, porque o Brasil exporta volume próximo ao da cota definida e tem buscado abrir novos mercados, incluindo expectativa de ampliação das vendas ao Japão a partir de 2026.

Além do diálogo bilateral com Pequim, o governo informou que levará o tema à Organização Mundial do Comércio e pretende negociar possibilidades como a transferência de cotas não utilizadas por outros países, com o objetivo de reduzir perdas e preservar empregos na cadeia da carne.

O que os exportadores devem observar

Produtores e frigoríficos precisam revisar planejamentos de venda e logística para 2026, avaliar mercados alternativos e negociar com compradores internacionais. Ajustes na oferta, contratos e hedge de preços podem reduzir vulnerabilidades diante da nova taxação da carne imposta pela China.

Com a medida válida por três anos e em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026, o cenário exige coordenação entre governo e setor privado para mitigar impactos imediatos e buscar oportunidades de diversificação de destinos e produtos.

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