quinta-feira, junho 4, 2026

Governo vai negociar com China sobre taxação da carne para reduzir impacto das cotas de 1,1 milhão t e da sobretaxa de 55% a partir de 2026

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Governo anuncia diálogo com Pequim para mitigar a taxação da carne, propor transferência de cotas e tentar reduzir prejuízos da sobretaxa que começa em 2026

O governo federal informou que vai dialogar com a China para tentar mitigar os efeitos da taxação da carne anunciada por Pequim, incluindo a possibilidade de negociar transferências de cotas não utilizadas por outros países.

A medida chinesa impõe cotas anuais e uma sobretaxa de 55% sobre volumes que excederem os limites, e terá validade prevista de três anos, com início em 1º de janeiro de 2026.

O Executivo disse que acompanha o tema “com atenção” e que atua de forma coordenada com o setor privado, conforme informação divulgada pelo g1.

O que a China anunciou sobre a taxação da carne

A China criou uma cota global inicial de 2,7 milhões de toneladas para 2026, com aumento gradual nos anos seguintes, e estabeleceu divisão por países, com o Brasil recebendo a maior cota, de 1,1 milhão de toneladas.

Dentro da cota, haverá cobrança de 12% sobre as importações, e sobre o que exceder o limite será aplicada uma sobretaxa de 55%, segundo informações divulgadas por entidades do setor e pelo governo brasileiro.

A medida foi apresentada como uma salvaguarda para proteger a indústria local, após investigação iniciada em 2024 sobre o impacto do crescimento das importações de carne bovina na produção chinesa.

Impacto esperado para o Brasil e dados do setor

A China foi responsável por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, respondendo por 48% do volume exportado até novembro, e por 49,9% do faturamento do setor, o equivalente a US$ 8,08 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, conforme informação divulgada pelo g1.

O volume definido na cota para o Brasil é inferior ao exportado ao mercado chinês em 2025, que somou 1,52 milhão de toneladas até novembro, segundo dados do setor.

Entidades avaliam que a medida exigirá ajustes em toda a cadeia produtiva, e a Associação Brasileira de Frigoríficos, Abrafrigo, estima que a decisão pode resultar em perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026.

Reação e estratégia do governo brasileiro

O ministério informou que tratará do tema tanto no plano bilateral com a China, quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio, buscando reduzir impactos e defender trabalhadores e produtores.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que, de forma geral, a decisão chinesa “não é algo tão preocupante”, porque o Brasil exporta um volume próximo ao da cota definida e tem buscado abrir novos mercados, como a expectativa de ampliação das vendas ao Japão a partir de 2026.

Além do diálogo direto, o governo pretende discutir a possibilidade de transferência de cotas não utilizadas por outros países, e acompanhar a aplicação das salvaguardas, lembrando que, nas palavras oficiais, “As medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da OMC e aplicados às importações de todas as origens”.

O que vem a seguir para produtores e exportadores

Produtores e frigoríficos terão de ajustar planejamento de embarques e carteira de clientes, buscando alternativas de mercado e estratégias de precificação para minimizar perdas decorrentes da nova taxação da carne.

O setor privado e o governo dizem que seguirão em coordenação para tentar reduzir o impacto imediato, monitorar volumes exportados e negociar com a China, inclusive no âmbito da OMC, enquanto se avaliam medidas de curto e médio prazos para diversificar destinos e melhorar competitividade.

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