Durante seis meses de presidência rotativa, a ilha terá papel central em segurança, migração, orçamento 2028-2034 e na resposta europeia ao plano de paz para a Ucrânia
Chipre inicia em 1º de janeiro uma presidência do Conselho da União Europeia marcada por prioridades em segurança e defesa, gestão das rotas migratórias e apoio à Ucrânia, em um momento de tensões geopolíticas na Europa.
O país pequeno e dividido busca ampliar sua influência na definição da agenda dos ministros da UE e na condução de negociações com o Parlamento Europeu, tarefas que ocupam os próximos seis meses.
Paralelamente, a Bulgária adota o euro como moeda oficial a partir desta data, em meio a desafios econômicos e políticos internos.
conforme informação divulgada pelo g1
Prioridades e agenda da presidência cipriota
Esta é a segunda vez que Chipre presidirá o Conselho da União Europeia desde que aderiu ao bloco em 2004. A presidência começa quando a guerra na Ucrânia entra no quarto ano, e a União enfrenta pressões que podem afetar a coesão do bloco.
Entre as iniciativas anunciadas estão a implementação do Livro Branco sobre a Defesa Europeia e do Roteiro para a Preparação da Defesa até 2030, medidas voltadas para reforçar a cooperação militar e a prontidão conjunta dos Estados-membros.
Além disso, Nicosia terá papel-chave nas negociações sobre o futuro orçamento da União Europeia, que deve orientar o Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, uma pauta sensível e disputada entre capitais.
Ucrânia e o plano de paz apresentado pelos EUA
Uma questão que exigirá coordenação europeia é a formulação de uma resposta ao plano de paz defendido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após encontro com Volodymyr Zelensky em Mar-a-Lago.
Trump propôs garantias de segurança para a Ucrânia durante 15 anos. De acordo com Zelensky, o plano de paz de 20 pontos foi acordado em 90%, afirmação que aumenta a pressão sobre líderes europeus para reagir de forma unificada, enquanto Moscou já sinaliza intenção de prosseguir o conflito.
Divisão da ilha e oportunidades diplomáticas
Chipre é uma ilha mediterrânea situada entre Europa, Ásia e Oriente Médio, onde convivem as comunidades cipriota grega e cipriota turca separadas por a zona tampão desmilitarizada de quase 180 quilômetros, monitorada pela ONU.
A República de Chipre, no sul, é a única reconhecida internacionalmente, enquanto a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte não integra o bloco europeu. A presidência oferece a Nicosia uma janela para tentar atenuar tensões com Ancara.
O presidente cipriota, Nikos Christodoulides, pode usar a visibilidade da presidência para buscar acordos com a Turquia que facilitem cooperação, inclusive visando apoio turco à adesão de Chipre à Otan, segundo avaliações de analistas.
Em outubro, os cipriotas turcos elegeram o líder de esquerda pró-europeu Tufan Erhürman, que prometeu abrir caminhos para novas negociações sobre a reunificação da ilha, vitória vista por especialistas como uma esperança de avanços nas conversas de paz.
Bulgária adota o euro, contexto econômico e político
Também em 1º de janeiro, a Bulgária passa a adotar o euro como moeda oficial, substituindo o lev. A entrada na zona do euro ocorre dezenove anos após a adesão do país à União Europeia.
O lev foi criado quando o país se tornou independente do Império Otomano, no final do século XIX, e a versão atual da moeda búlgara foi introduzida em 1995. A adoção tardia do euro foi influenciada por crises externas, como a pandemia, e por problemas internos, incluindo a corrupção.
Nas semanas anteriores à mudança, protestos nas ruas de Sofia contra políticas econômicas e falhas no combate à corrupção levaram à renúncia do governo, cenário que evidencia os desafios sociais e institucionais enfrentados pelos búlgaros no momento da transição monetária.
Especialistas apontam que a entrada no euro traz benefícios de integração e estabilidade, mas também exige respostas firmes a riscos financeiros e reformas para melhorar a governança e reduzir desigualdades.
O que acompanhar nos próximos meses
Nos seis meses seguintes, haverá atenção sobre como a presidência cipriota conduzirá as negociações sobre defesa, o apoio à Ucrânia e as conversas sobre o orçamento plurianual. A capacidade de Chipre de mediar posições e desbloquear acordos será testada.
Também será importante observar a evolução política interna na Bulgária, a reação dos mercados à adoção do euro e se a mudança terá impacto imediato nas condições econômicas da população, que enfrenta altos índices de pobreza.
O semestre promete decisões estratégicas para o futuro da União, e a combinação entre a presidência de Chipre e a entrada da Bulgária no euro reforça a sensação de que 2026 começa com mudanças significativas no mapa político e econômico europeu.