Reajuste de 6,79% para o salário mínimo começa a valer em 1º de janeiro de 2026, afeta BPC, seguro-desemprego e referências para 59,9 milhões de pessoas
O novo valor do salário mínimo nacional, de R$ 1.621, passa a vigorar a partir desta quinta-feira, 1º.
“O reajuste é de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e reflete a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) em 12 meses até novembro, somada a um ganho real limitado pela regra do arcabouço fiscal.”
Quem recebe o salário mínimo, ou benefícios vinculados a esse valor, terá o total reajustado já nos pagamentos de janeiro, feitos no início de fevereiro, conforme informação divulgada pelo g1.
Como foi calculado o novo valor
O cálculo leva em conta a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%, mais um ganho real limitado pela regra do arcabouço fiscal.
Se cumprisse apenas a regra da Constituição, de corrigir o valor pela inflação, o governo poderia reajustar o salário mínimo dos atuais R$ 1.518 para algo em torno de R$ 1.582.
Uma fórmula aprovada em 2023 previa que, além do INPC, a correção consideraria o crescimento real do PIB de dois anos anteriores, o que teria levado o piso a R$ 1.636 com base no PIB de 2024 de 3,4%. Entretanto, em dezembro o governo limitou o ganho real a 2,5%, aplicando o teto do arcabouço fiscal, e assim o salário subiu para R$ 1.621.
Quem é impactado pelo reajuste
O salário mínimo serve de referência direta ou indireta para uma parcela grande da população. Segundo nota técnica do Dieese citada pela fonte, “o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil”.
Além disso, benefícios como aposentadorias, o Benefício de Prestação Continuada, seguro-desemprego e o abono salarial, quando vinculados ao piso, sobem na mesma proporção, o que amplia o efeito do reajuste sobre a renda das famílias.
Para efeito de comparação, o Dieese estimou que “o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro desse ano, ou 4,66 vezes o piso mínimo nacional de R$ 1.518“.
Impacto nas contas públicas
Ao reajustar o salário mínimo, crescem também as despesas obrigatórias do governo, porque benefícios vinculados não podem ficar abaixo do piso. “De acordo com cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2026 de aproximadamente R$ 420 milhões.Um aumento de R$ 103 ao salário mínimo no próximo ano, portanto, corresponde a um crescimento de cerca de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias.”
O aumento dos gastos obrigatórios reduz o espaço para despesas discricionárias, o que pode impactar políticas públicas e programas federais.
O novo piso também ficou abaixo de projeções anteriores, segundo a fonte, “abaixo do previsto no Orçamento de 2026 (R$ 1.631); menor do que a estimativa do governo do fim de novembro (R$ 1.627)”, uma diferença explicada pela inflação menor do que a esperada.
O que muda no bolso dos trabalhadores
Trabalhadores que recebem um salário mínimo ou múltiplos dele, e beneficiários de programas vinculados ao piso, vão perceber o efeito já nos pagamentos de início de fevereiro. O reajuste melhora o poder de compra nominal, mas o ganho real está limitado pela regra fiscal.
Em termos práticos, o aumento corrige a renda de quem recebe o piso e recalcula benefícios indexados, mas não elimina o descompasso entre o valor legal e o montante que, segundo cálculos do Dieese, seria necessário para cobrir todas as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.
Fontes citadas ao longo do texto, conforme informação divulgada pelo g1.