Dólar abre 2026 em queda, dando sequência ao movimento de 2025, com pressão por expectativas sobre juros nos EUA e apoio ao Ibovespa vindo de ações ligadas a commodities
O primeiro pregão de 2026 começou com um ambiente um pouco mais positivo para investidores no Brasil, com *dólar* em queda e Ibovespa em alta prevista na abertura.
No pregão da manhã, a moeda americana recuou, refletindo apostas sobre política monetária nos Estados Unidos e menor apetite por risco em alguns segmentos.
O movimento combina fatores externos e internos, como a demanda chinesa por matérias-primas e um mercado de trabalho brasileiro aquecido, conforme informação divulgada pelo g1
Por que o dólar caiu após 2025
O *dólar* abriu o primeiro dia útil do ano cotado a R$ 5,4342, com baixa de 0,99% às 10h desta sexta-feira (02), dando sequência ao desempenho do fim de 2025. No último pregão de 2025, realizado na terça-feira (30), a moeda americana fechou em queda de 1,47%, cotada a R$ 5,4887.
Em 2025, a moeda encerrou o ano com desvalorização superior a 10%, o que representa o pior desempenho anual em quase uma década, segundo o levantamento do g1. Pesaram apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, preocupações com o déficit das contas públicas dos EUA, tensões comerciais globais e incertezas sobre a condução da política econômica pelo presidente Donald Trump.
Impacto no Ibovespa e no mercado brasileiro
O Ibovespa encerrou 2025 em clima positivo. No último pregão do ano, o índice subiu 0,40% e fechou aos 161.125 pontos. No acumulado do ano passado, a valorização passou de 30%, sendo o maior ganho anual desde 2016, mesmo com juros elevados.
Para o início de 2026, a expectativa é de continuidade desse movimento, com o principal impulso vindo de ações ligadas a commodities, como mineração e siderurgia, que tendem a ganhar força logo na abertura. Dados de desempenho recentes mostram ainda: Acumulado da semana: -0,99%;Acumulado do mês: +2,88%;Acumulado do ano: -11,18% para o dólar, e para o Ibovespa, Acumulado da semana: +0,14%;Acumulado do mês: +1,29%;Acumulado do ano: +33,95%.
Cenário externo, commodities e outros ativos
Parte do otimismo sobre o Ibovespa tem origem na China, que reafirmou a meta de crescer 5% e deve manter investimentos elevados em infraestrutura e indústria, elevando a demanda por matérias-primas, como minério de ferro, o que favorece empresas brasileiras do setor.
Ao mesmo tempo, novas cotas e tarifas da China sobre carne pressionam o setor de proteína animal, reforçando um cenário de comércio global mais restritivo em 2026. Globalmente, as bolsas começaram o ano em alta, com o índice MSCI World tendo subido mais de 20% em 2025, e analistas projetando crescimento dos lucros das empresas em torno de 12% para 2026.
Os metais preciosos seguem em alta. O ouro subiu mais de 1% no primeiro pregão do ano, ampliando um movimento histórico, já que em 2025 o metal teve a maior valorização em 46 anos. Já o petróleo ensaiou recuperação, após 2025 ter sido um ano difícil para os preços, com Brent e o petróleo americano oscilando pouco no início do ano.
Perspectivas para 2026
O começo de 2026 mostra mercados cautelosos, com foco em juros, política monetária e decisões dos governos. No Brasil, o mercado de trabalho segue forte, com desemprego baixo e renda em alta, o que sustenta consumo, mas mantém a inflação de serviços pressionada e reduz o espaço para cortes rápidos dos juros.
A situação fiscal permanece no radar, já que avanço do déficit e da dívida pode pressionar juros e limitar o apetite por risco. Analistas alertam que o desempenho do primeiro dia do ano não é um bom termômetro para todo o período, mas o cenário inicial aponta para um equilíbrio entre otimismo por commodities e cautela por questões fiscais e externas.