O mundo da arquitetura lamenta a perda de Frank Gehry, um visionário que desafiou convenções e redefiniu o conceito de edifícios. Suas obras, muitas vezes comparadas a esculturas monumentais, deixam um legado inestimável para as futuras gerações.
Frank Gehry, o renomado arquiteto cujas obras revolucionaram a paisagem urbana global, faleceu nesta sexta-feira aos 96 anos. Sua partida deixa um vazio no cenário arquitetônico mundial, mas seu impacto e suas criações continuarão a inspirar por muitos anos.
Conhecido por suas estruturas audaciosas, com o uso de metal curvado e formas inesperadas, Gehry foi um verdadeiro ‘superstar’ da arquitetura. Seus edifícios não eram apenas construções, mas verdadeiras obras de arte que provocavam admiração e, por vezes, controvérsia.
Conforme informação divulgada pelo G1, Frank Gehry morreu em sua casa em Santa Monica, após uma recente doença respiratória. Sua chefe de equipe, Meaghan Lloyd, confirmou a notícia, encerrando um capítulo glorioso na história da arquitetura.
O Legado de um Arquiteto Inovador
As criações de Frank Gehry eram frequentemente descritas como rebeldes e dinâmicas, parecendo congeladas no tempo em um ato de criação artística. O **Museu Guggenheim em Bilbao**, na Espanha, é um dos exemplos mais célebres de seu estilo inconfundível, com suas placas onduladas de metal que capturam a luz de maneira espetacular.
Gehry, que nasceu Frank Owen Goldberg em Toronto, Canadá, em 28 de fevereiro de 1929, filho de pais judeus poloneses, demonstrou desde cedo uma inclinação para a arte e a construção. Ele já criava pequenas cidades com pedaços de madeira na infância, o que, segundo ele, o fez pensar em arquitetura e na possibilidade de um adulto ‘brincar’.
Após uma trajetória acadêmica e profissional diversificada, incluindo estudos em Harvard e uma passagem por Paris, Gehry mudou seu sobrenome para Gehry em 1962 ao retornar a Los Angeles, a pedido de sua esposa, buscando evitar o antissemitismo.
Obras que Desafiaram o Convencional
Um dos marcos de sua carreira foi a **reconstrução de sua própria casa em Santa Monica** em 1978. Ele a transformou de uma casa colonial holandesa em uma estrutura fantástica, utilizando materiais incomuns como arame farpado, alumínio corrugado e compensado sem acabamento, um prenúncio de suas ousadias futuras.
Na década de 1980, Gehry começou a ganhar reconhecimento internacional com edifícios revestidos de aço inoxidável ou alumínio, que pareciam dobrar e ondular, subvertendo as normas arquitetônicas. Em 1989, foi agraciado com o **Prêmio Pritzker**, o mais prestigiado de sua área.
O sucesso estrondoso do **Museu Guggenheim de Bilbao**, concluído em 1997 com o auxílio de softwares de computador que permitiram a criação de formas complexas, o catapultou para o estrelato global. O arquiteto Philip Johnson o descreveu como ‘o maior edifício do nosso tempo’ e Gehry como ‘o maior arquiteto que temos’.
Reconhecimento e Críticas
Frank Gehry também esteve por trás de outros projetos notáveis, como a **Walt Disney Concert Hall** em Los Angeles, a **Dancing House** em Praga, o **Experience Music Project** em Seattle e a torre residencial **8 Spruce** em Nova York. Em 2014, inaugurou a **Fondation Louis Vuitton** em Paris, e em 2015, uma expansão do campus do Facebook em Menlo Park.
Apesar do reconhecimento, Gehry não esteve imune a críticas. Alguns o acusavam de priorizar a forma sobre a função. O Disney Center, por exemplo, foi criticado como ‘uma pilha de louças quebradas’ e ‘lixo desconstrutivista’. No entanto, Gehry frequentemente defendia seu trabalho, chegando a afirmar em 2014 que ‘98% de tudo o que é construído e projetado hoje é pura merda’.
Bernard Arnault, bilionário francês, prestou uma comovente homenagem a Gehry, afirmando que ele ‘permanecerá por muito tempo como uma fonte viva de inspiração para a Louis Vuitton, assim como para todas as Maisons do grupo LVMH’.
Além de seus edifícios monumentais, Frank Gehry também se aventurou no design de móveis, joias, relógios e até mesmo um chapéu para Lady Gaga. Sua obra, marcada pela ousadia e pela originalidade, deixa um legado duradouro na arquitetura e na arte.