quinta-feira, junho 4, 2026

EUA devem controlar vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado, supervisionar receitas e receber até 50 milhões de barris, afirma secretário Chris Wright

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Chris Wright diz que “Daqui para frente, venderemos a produção proveniente da Venezuela para o mercado”, e Trump afirmou envio de “30 milhões e 50 milhões de barris” aos EUA

O governo dos Estados Unidos pretende manter um controle significativo sobre a indústria petroleira venezuelana, incluindo a supervisão das vendas “indefinidamente”, segundo reportagem do The New York Times sobre declarações do secretário de Energia, Chris Wright.

O presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela enviaria entre “30 milhões e 50 milhões de barris” aos EUA, e que os lucros dessas vendas seriam controlados pelo governo americano, conforme publicações nas redes sociais do republicano.

As falas provocam dúvidas sobre o alcance jurídico e prático de uma supervisão duradoura, e sobre quanto tempo levaria para a Venezuela recuperar produção significativa, diante de problemas estruturais e de sanções.

conforme informação divulgada pelo g1

O que disseram o secretário e a Casa Branca

Segundo o The New York Times, Chris Wright afirmou durante conferência de energia do Goldman Sachs, perto de Miami, que “Daqui para frente, venderemos a produção proveniente da Venezuela para o mercado”.

O jornal também registrou que o governo americano mantém um “diálogo ativo” com a liderança venezuelana e com grandes companhias petrolíferas dos EUA que atuam no país, e que a supervisão das vendas poderia ser exercida por tempo indeterminado.

Trump, no sábado, disse que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano para grandes companhias americanas, e nas redes sociais afirmou que o país enviaria entre “30 milhões e 50 milhões de barris” aos Estados Unidos, com os lucros das vendas sendo controlados pelo governo americano.

Volume potencial, refino e reservas

Apesar de a Venezuela ter a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com “cerca de 303 bilhões de barris”, segundo a Energy Information Administration, a produção atual está bastante abaixo do potencial.

Dados citados pela reportagem indicam que a produção venezuelana gira em torno de 1 milhão de barris por dia atualmente, em grande parte devido a sanções e problemas de infraestrutura.

Antes das primeiras sanções, refinarias americanas na Costa do Golfo importavam cerca de 500 mil barris por dia do país, e essas refinarias conseguem processar os tipos pesados de petróleo venezuelano, o que torna possível, na prática, um retorno de fluxos comerciais para os EUA.

Desafios para aumentar a produção e custos

Wright corroborou estimativas externas de que a Venezuela poderia elevar a produção em várias centenas de milhares de barris por dia em um curto período, mas ponderou que aumentos maiores exigiriam tempo e investimentos.

Ele afirmou, nas palavras publicadas, “Para voltar aos níveis históricos de produção, são necessários dezenas de bilhões de dólares e um tempo considerável”, e acrescentou, “Mas por que não?”

Analistas, como Arne Lohmann Rasmussen, da consultoria Global Risk Management, destacam que recuperar infraestrutura e atrair investimentos das petroleiras pode levar anos, mesmo com disposição das empresas americanas em gastar bilhões.

Implicações políticas e econômicas

A intenção declarada pelos EUA de controlar vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado coloca questões sobre soberania, legalidade internacional e o destino dos recursos, além de impactar a já frágil economia venezuelana e a estatal PDVSA.

Especialistas apontam que, mesmo que volumes adicionais cheguem ao mercado, o processo de restabelecimento de produção em níveis históricos passa por obstáculos técnicos, financeiros e políticos que não se resolvem de imediato.

O desfecho dependerá de negociações entre Washington, Caracas e empresas privadas, da velocidade de investimentos, e da capacidade de reparar equipamentos e logística, fatores que, segundo as fontes citadas, podem levar anos.

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