Autoridades americanas, segundo o The New York Times, planejam manter supervisão, controlar lucros e dialogar com petroleiras dos EUA para aumentar produção venezuelana
O secretário de Energia dos Estados Unidos afirmou que o país pretende manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera da Venezuela, incluindo a supervisão da venda da produção “indefinidamente”.
As declarações ocorreram após o presidente Donald Trump afirmar que a Venezuela entregaria em breve dezenas de milhões de barris de petróleo aos EUA, e que os lucros dessas vendas seriam controlados pelo governo americano.
No total, Trump disse que o país enviaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris aos EUA, e autoridades americanas dizem conduzir diálogo com líderes venezuelanos e empresas do setor para ampliar a oferta, conforme informação divulgada pelo g1.
O que foi anunciado pelas autoridades dos Estados Unidos
Segundo reportagem do The New York Times, o secretário de Energia declarou que, “Daqui para frente, venderemos a produção proveniente da Venezuela para o mercado”, em comentário feito durante uma conferência de energia do Goldman Sachs, realizada perto de Miami.
O mesmo veículo informou que os EUA pretendem manter um papel de supervisão sobre a indústria venezuelana, e que essa supervisão incluiria controle sobre a venda da produção “indefinidamente”, palavra usada por autoridades americanas, segundo o NYT.
Além disso, Trump afirmou nas redes sociais que a Venezuela enviaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris aos EUA, e que os lucros dessas vendas seriam controlados pelo governo americano, afirmação que colocou o tema no centro de decisões políticas e comerciais.
Capacidade, reservas e limites para aumentar a produção
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration, frente a 267 bilhões da Arábia Saudita e 209 bilhões do Irã.
No entanto, a produção atual está em torno de 1 milhão de barris por dia, nível reduzido por sanções e problemas de infraestrutura. Especialistas citados por autoridades americanas projetam que a Venezuela poderia elevar a produção em várias centenas de milhares de barris por dia em curto prazo, mas recuperar volumes históricos exigiria investimentos e tempo.
O secretário de Energia ponderou que voltar aos níveis históricos demandaria “dezenas de bilhões de dólares e um tempo considerável”, reconhecendo que melhorias rápidas são limitadas, apesar do interesse em ampliar a produção.
Interesse das petroleiras americanas e capacidade das refinarias
O governo dos EUA, conforme divulgado, mantém um diálogo ativo com grandes companhias petrolíferas americanas que atuam na Venezuela, e há expectativa de que essas empresas possam investir para recuperar infraestrutura.
Trump declarou também que, com a atuação das empresas dos EUA, seria possível consertar a infraestrutura petrolífera, e citou textualmente, “Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”.
Antes das primeiras sanções de Washington, as companhias americanas importavam cerca de 500 mil barris por dia, e refinarias na Costa do Golfo têm capacidade para processar os tipos pesados de petróleo que a Venezuela produz.
Riscos, diplomacia e próximos passos
Analistas alertam que, mesmo com diálogo entre governos e empresas, levará tempo para recuperar produção e para que investimentos pesados se transformem em oferta estável. A operação envolverá aspectos jurídicos, financeiros e logísticos complexos.
Enquanto isso, a proposta de que os EUA passem a supervisar vendas e lucros da exportação venezuelana, descrita nas declarações oficiais e em reportagens, já provoca debates sobre soberania, sanções e o papel das grandes petroleiras no país.
O tema deverá ganhar desdobramentos nas próximas semanas, com consultas entre Washington, Caracas e empresas do setor, e com atenção internacional sobre como será aplicada, na prática, qualquer supervisão ou controle das vendas, e sobre o impacto no mercado global de petróleo.
EUA controlam vendas de petróleo da Venezuela aparece como um ponto central da estratégia anunciada, e permanece no centro do acompanhamento jornalístico e político.