Trump diz que verba do petróleo será depositada em contas controladas pelos EUA, e que compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos
O presidente dos Estados Unidos afirmou que a Venezuela concordou em usar a receita das vendas de petróleo para adquirir exclusivamente produtos fabricados nos EUA, incluindo alimentos, medicamentos e equipamentos médicos.
Segundo Trump, as compras também abrangeriam itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela, num movimento que, segundo ele, aproximaria Caracas de Washington como parceiro comercial.
As informações sobre o acordo e o mecanismo de controle dos recursos foram divulgadas em comunicação oficial e em publicações do próprio presidente, conforme informação divulgada pelo g1.
Como funcionará o controle da receita
De acordo com o Departamento de Energia americano, os Estados Unidos já começaram a comercializar petróleo venezuelano e toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
O órgão declarou que os recursos serão depositados em contas controladas pelos EUA para, “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, e que a destinação será feita, “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
O Departamento de Energia também informou que conta com o apoio financeiro de grandes empresas de comercialização de commodities e bancos importantes para viabilizar as vendas de petróleo bruto e derivados.
Volume negociado e preço
Donald Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela, e que o óleo seria vendido a **preço de mercado**.
Além disso, o presidente disse ter fechado um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA, movimento que, segundo ele, poderia desviar fornecimentos da China e ajudar a evitar cortes mais profundos na produção venezuelana.
Contexto político e reações
A declaração de Trump ocorre dias após uma ação militar americana que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro, e na qual, segundo relatos, ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
A petroleira estatal PDVSA afirmou haver avanços nas negociações com os EUA para a venda de petróleo, com discussões sobre termos semelhantes aos praticados com parceiros como a Chevron, conforme comunicado da própria empresa.
Impacto no mercado e na Venezuela
Especialistas lembram que, apesar de a Venezuela deter as maiores reservas de petróleo do mundo, sua produção atual está reduzida, perto de 1 milhão de barris por dia, por causa de sanções e problemas de infraestrutura.
Antes das primeiras sanções, refinarias dos EUA importavam cerca de 500 mil barris por dia do petróleo venezuelano, o que mostra capacidade de processamento para os tipos pesados do país, segundo análises citadas em reportagens sobre o tema.
O governo americano também apreendeu um petroleiro ligado à Venezuela, em mais uma ação para controlar o fluxo de petróleo nas Américas, enquanto discute com executivos do setor petrolífero a reabertura do mercado venezuelano para empresas dos EUA.
As medidas anunciadas pelos EUA têm potencial para alterar dinâmicas comerciais e políticas na região, e dependem agora da implementação prática do mecanismo financeiro e da reação de outros atores internacionais.