Protestos em Paris levaram tratores e bloqueios em vias centrais, com agricultores pedindo alterações no acordo UE-Mercosul, cessar do abate por dermatite nodular e mais garantias antes da votação
Tratores estacionaram e manifestantes circularam por pontos emblemáticos de Paris nesta semana, em um ato organizado por produtores rurais que dizem temer os efeitos do acordo UE-Mercosul.
Os agricultores pedem, entre outras medidas, o fim da política de abate de bovinos em razão de uma doença contagiosa, a dermatite nodular, e garantias sobre competição e tarifas.
O protesto visa também pressionar autoridades europeias e nacionais antes da decisão final sobre o tratado, marcada para esta semana.
conforme informação divulgada pelo g1
Motivos do protesto
Os manifestantes, agrupados em sindicatos como a Coordenação Rural, bloquearam vias e estacionaram tratores em frente a monumentos como o Arco do Triunfo, em sinal de protesto contra o acordo UE-Mercosul e a política de abate relacionada à dermatite nodular.
Os produtores afirmam que o pacto, mesmo com concessões, ameaça a produção local, e cobram medidas concretas do bloco europeu para proteger o setor agrícola.
Pressão política e declarações oficiais
A França tem se posicionado de forma firme contra o tratado, embora tenha conseguido concessões de última hora, e a posição final do presidente Macron ainda não está definida.
A porta-voz do governo, Maud Brégeon, declarou, na rádio France Info, “Este tratado ainda não é aceitável”, frase que resume a resistência oficial enfrentada pela proposta.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.
Consequências para o acordo UE-Mercosul e próximos passos
A União Europeia tem oferecido benefícios e buscado concessões para conquistar apoio do setor agrícola, inclusive anunciando redução de tarifas de fertilizantes para atender demandas do agro.
Países como Alemanha e Espanha apoiam o pacto, e a Comissão Europeia avançou nas negociações para obter o apoio da Itália, sinal que pode garantir votos suficientes para aprovar o tratado com ou sem o apoio francês.
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9). O tema segue politicamente sensível, em um contexto de eleições municipais na França e de avanço da extrema direita nas pesquisas que antecedem a eleição de 2027.
Enquanto isso, a mobilização nas ruas de Paris mostra que a discussão sobre o acordo UE-Mercosul continuará a dominar o debate público e político na Europa nas próximas semanas.