Manifestantes da Coordenação Rural estacionaram tratores no Arco do Triunfo, bloquearam vias e circularam por pontos turísticos para cobrar ações do governo e do Parlamento Europeu
Centenas de agricultores franceses bloquearam ruas de Paris em protesto contra o acordo UE-Mercosul e contra a política de abate relacionada à dermatite nodular.
Tratores foram estacionados em frente ao Arco do Triunfo e manifestantes circularam por pontos emblemáticos da cidade, afetando o trânsito e chamando atenção para as reivindicações do setor.
Os atos também pressionam autoridades nacionais e europeias às vésperas de decisões importantes sobre o tratado, conforme informação divulgada pelo g1.
O protesto em Paris
O sindicato agrícola Coordenação Rural organizou a mobilização, com tratores e bloqueios em vias centrais de Paris, em protesto contra o acordo UE-Mercosul e contra a política de abate relacionada à dermatite nodular, que preocupa produtores sobre perdas e biossegurança.
Imagens e relatos mostram barricadas e veículos agrícolas em locais turísticos, buscando visibilidade nacional e internacional para a pauta dos agricultores.
Posição do governo francês e declarações oficiais
A França mantém resistência de longa data ao acordo UE-Mercosul, mesmo após concessões negociadas nas últimas semanas. A porta-voz do governo, Maud Brégeon, afirmou à rádio France Info, “Este tratado ainda não é aceitável”, posicionamento que reflete a cautela em torno do apoio final do país.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, declarou que, mesmo que os países da UE votem a favor, a França continuará a combater o acordo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor, conforme informações divulgadas pelo g1.
O que está em jogo no acordo UE-Mercosul
O acordo UE-Mercosul envolve reduções tarifárias e compromissos comerciais que despertaram promessas de benefícios a agricultores da União Europeia, como medidas para reduzir tarifas de fertilizantes, segundo negociações relatadas entre os blocos.
Ao mesmo tempo, o texto é sensível politicamente na França, em meio a eleições municipais e ao avanço da extrema direita nas pesquisas, o que torna a posição do governo, e a resposta de parlamentares, um fator decisivo para a aprovação final.
Risco político, apoio de outros países e próximos passos
Países como Alemanha e Espanha já demonstraram apoio ao pacto, e a Comissão Europeia trabalhou para conquistar a Itália, cuja sinalização de apoio poderia garantir votos suficientes para aprovar o acordo UE-Mercosul sem o suporte francês.
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira, (9), e os protestos em Paris fazem parte da pressão de grupos agrícolas para influenciar decisores em nível nacional e europeu, enquanto o governo mantém posição ambígua sobre o voto final.
As vozes do campo exigem garantias sobre proteção sanitária e compensações, e os próximos dias serão decisivos para saber se o tratado avançará com mudanças ou enfrentará nova resistência no Parlamento Europeu, conforme informação divulgada pelo g1.