quinta-feira, junho 4, 2026

Irlanda anuncia voto contra o acordo UE-Mercosul e intensifica resistência de França, Hungria e Polônia antes de votação decisiva no Conselho da UE

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Declaração do vice-primeiro-ministro Simon Harris confirma que a Irlanda votará contra o acordo UE-Mercosul, citando medidas insuficientes para proteger agricultores e consumidores

A Irlanda anunciou que votará contra o acordo UE-Mercosul na votação do Conselho da União Europeia marcada para sexta-feira, aumentando a lista de países que rejeitam o pacto.

O anúncio foi feito pelo vice-primeiro-ministro Simon Harris, que afirmou que o governo não apoia o texto tal como foi apresentado e que as medidas adicionais acordadas pela UE não atendem às preocupações internas.

O posicionamento irlandês junta-se ao de França, Hungria e Polônia, em um momento em que a assinatura do tratado entre a UE e Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai está prevista para a segunda-feira seguinte, conforme informação divulgada pelo g1.

Posição da Irlanda e citações oficiais

Simon Harris foi categórico ao justificar o voto contrário, com a afirmação, “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”.

Harris também declarou, “Votaremos contra o acordo”, e explicou que, apesar de a Comissão Europeia ter negociado “uma série de medidas adicionais”, “elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos”.

Reações na UE e próximos passos

A oposição de Irlanda, França, Hungria e Polônia não deve, segundo analistas, impedir que a Comissão Europeia obtenha a maioria dos Estados-membros na votação do Conselho, marcada para sexta-feira, dia 9.

Se a maioria for alcançada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficaria autorizada a assinar o texto na segunda-feira, dia 12. O acordo foi negociado desde 1999 e poderia criar a maior área de livre comércio do mundo.

Impacto esperado no setor agrícola europeu

Produtores e sindicatos agrícolas europeus têm alertado para o aumento de importações de produtos sul-americanos, com possíveis efeitos sobre preços e produção locais.

As principais preocupações citadas incluem um crescimento das compras de carne, arroz, mel e soja da América do Sul, em troca de maior acesso do Mercosul a carros e máquinas europeias, pressionando especialmente agricultores menores.

Protestos, como os bloqueios de ruas promovidos por agricultores na França, refletem o clima de tensão em torno do acordo UE-Mercosul e mostram que, mesmo com a possibilidade de aprovação no Conselho, a ratificação e a implementação terão desafios políticos significativos.

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