quinta-feira, junho 4, 2026

França votará contra acordo UE–Mercosul, diz Macron, e anuncia suspensão temporária de importações por agrotóxicos proibidos, risco à ratificação do pacto

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Posição da França contra o acordo UE–Mercosul aumenta pressão na União Europeia, Macron anuncia voto contrário e medida temporária que pode bloquear a ratificação

O presidente Emmanuel Macron afirmou que a França votará contra o acordo UE–Mercosul, reforçando o principal foco de resistência dentro da União Europeia.

O posicionamento será levado à reunião dos embaixadores do bloco marcada para esta sexta-feira, dia 9, e indica que Paris não aceitará tentativas de acelerar a aprovação do tratado.

Além do voto contrário, o governo francês decretou a suspensão temporária de importações de alguns produtos agrícolas da América do Sul por um ano, medida que ainda depende da Comissão Europeia, conforme informação divulgada pelo g1

Por que a França diz não ao acordo UE–Mercosul

Macron justificou a rejeição com um argumento central, voltado à proteção do setor agrícola, dizendo, “Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, citando preocupação com concorrência e padrões ambientais.

Produtores rurais franceses veem o acordo como uma ameaça por receio de concorrência de produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a regras ambientais diferentes das exigidas pela União Europeia.

Medida imediata sobre importações e agrotóxicos

O governo anunciou a suspensão temporária das importações de alguns produtos agrícolas, em especial os provenientes da América do Sul que apresentem resíduos de agrotóxicos proibidos no bloco.

A lista de itens que podem ficar barrados inclui abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, caso apresentem resíduos de cinco fungicidas e herbicidas vetados na Europa, mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.

A medida entrou em vigor no dia seguinte ao decreto e terá duração de um ano, estando sujeita ao aval da Comissão Europeia.

Impacto político e diplomático na União Europeia

Ao manifestar oposição pública, a França assume o papel de principal obstáculo à ratificação do acordo UE–Mercosul dentro do bloco.

O anúncio de Macron também sinaliza resistência a qualquer tentativa de acelerar ou impor a aprovação do pacto, aumentando a pressão sobre negociadores e governos europeus que apoiam o texto.

Próximos passos e cenário para a ratificação

Com a posição de Paris definida, a decisão a ser tomada na reunião dos embaixadores pode consolidar o impasse e retardar a tramitação do acordo entre União Europeia e Mercosul.

Se a Comissão Europeia não validar a suspensão das importações, a França terá que buscar outros mecanismos e negociações para manter sua oposição, enquanto o debate sobre salvaguardas para agricultores segue como ponto central do impasse.

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