quinta-feira, junho 4, 2026

Trabalho escravo no Brasil bate novo recorde de denúncias em 2025, aumento de 14%, resgates ultrapassam 65,6 mil e construção e agronegócio lideram casos

Share

Dados inéditos mostram alta contínua de denúncias desde 2021, crescimento em áreas urbanas, janeiro com pico histórico e canais como Disque 100 e Sistema Ipê em destaque

O Brasil registrou um novo recorde de denúncias relacionadas a trabalho escravo e condições análogas à escravidão em 2025, segundo dados oficiais.

As queixas envolvem desde trabalho infantil até jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade.

Os números e análises apresentados a seguir estão compilados, conforme informação divulgada pelo g1.

Recordes de denúncias e tendência histórica

Em 2025 foram registradas 4.515 denúncias sobre trabalho escravo, um aumento de 14% frente a 2024, quando houve 3.959 denúncias.

O crescimento acompanha uma sequência de alta nos últimos anos, com registros de 1.918 em 2021, 2.084 em 2022 e 3.430 em 2023.

Janeiro de 2025 foi o mês com o maior número já registrado desde a criação do Disque 100 em 2011, com 477 denúncias apenas no primeiro mês do ano.

Resgates permanecem em patamar elevado

Os dados de denúncias conversam com as ações de fiscalização, e em 2024, 2.186 pessoas foram resgatadas em situações de trabalho análogo à escravidão, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho.

Desde 1995, quando o Estado reconheceu oficialmente formas contemporâneas de escravidão, mais de 65,6 mil pessoas já foram libertadas em operações fiscais realizadas em todo o país.

Esses resgates são fruto de mais de 8,4 mil ações fiscais, muitas coordenadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, com apoio das unidades regionais do Ministério do Trabalho e Emprego.

Setores e mudança no perfil geográfico

Os setores com maior número de trabalhadores resgatados em 2024 foram liderados pela construção de edifícios, com 293 resgatados, seguido por cultivo de café com 214, cultivo de cebola com 194, serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita com 120, e horticultura, exceto morango, com 84.

Outra mudança importante no perfil do problema é a presença crescente de casos em áreas urbanas, com 30% dos trabalhadores resgatados em 2024 atuando em zonas urbanas, o que indica expansão além do meio rural.

Canais de denúncia e proteção

Autoridades destacam que o aumento das denúncias pode refletir, além da persistência do crime, uma maior conscientização pública e ampliação dos canais de denúncia.

O Disque 100 funciona 24 horas por dia, de todo o Brasil, para reportar violações de direitos humanos, e desde que passou a receber registros sobre trabalho escravo já contabiliza mais de 26 mil denúncias relacionadas ao tema.

O governo também disponibiliza o Sistema Ipê, canal online específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão, em que o denunciante pode permanecer anônimo e inserir o máximo de informações possíveis.

Por que os números seguem altos

Especialistas ressaltam que os números elevados indicam caráter estrutural do problema no país, mesmo considerando que parte do aumento pode vir de maior confiança nos mecanismos de denúncia.

As práticas relatadas, como jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade, continuam a configurar crimes segundo a legislação brasileira.

O cenário exige manutenção e ampliação das fiscalizações, fortalecimento de canais de denúncia e políticas públicas integradas para prevenção e reparação das vítimas, além de ações que atuem nas cadeias produtivas onde as violações persistem.

Leia Mais

Fique por dentro