quinta-feira, junho 4, 2026

Oposição tenta derrubar governo Macron após aprovação do acordo UE-Mercosul, RN e LFI apresentam moções contra Sébastien Lecornu e intensificam crise política rumo a 2027

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Crise política se aprofunda com reação interna ao acordo UE-Mercosul, pressão sobre o primeiro-ministro e risco de fortalecimento da Reunião Nacional nas zonas rurais

Partidos de oposição apresentaram moções de desconfiança contra o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, aliado do presidente Emmanuel Macron, em retaliação à aprovação do acordo UE-Mercosul.

As iniciativas partem da extrema esquerda, França Insubmissa, e da extrema direita, Reunião Nacional, que acusa o governo de trair os agricultores franceses.

A tensão cresce num Parlamento sem maioria governista, com impacto nas negociações orçamentárias e no quadro eleitoral para 2027, conforme informação divulgada pelo g1

Moções de desconfiança, chances e efeitos imediatos

O partido de extrema esquerda França Insubmissa, LFI, apresentou uma moção na manhã de sexta-feira, enquanto a Reunião Nacional, RN, também anunciou que apresentaria uma moção, pressionando por consequências políticas imediatas.

Analistas avaliam que a queda do governo é improvável, mesmo com ataques públicos, com Stewart Chau afirmando, “As moções têm pouca chance de serem aprovadas”.

Ainda assim, Chau alertou que “Mas essa assinatura pode dar um impulso à RN. A França rural vota maciçamente na RN, e isso poderia apoiar uma narrativa anti-UE mais explicitamente”, cenário que preocupa aliados do governo.

Acusações, reações e declarações das lideranças

Jordan Bardella, presidente da RN, disse que o voto de Macron contra o acordo foi mera postura, equivalendo a “uma traição aos agricultores franceses”.

A líder Marine Le Pen pediu que Macron ameaçasse suspender a contribuição da França para o orçamento da União Europeia, enquanto Mathilde Panot, da LFI, afirmou que a França foi “humilhada” por Bruxelas e escreveu, “Lecornu e Macron devem sair”.

Em resposta, o primeiro-ministro reagiu às moções, dizendo que elas enviaram um sinal negativo ao exterior e que, “Apresentar uma moção de censura neste contexto… é optar por enfraquecer a voz da França em vez de demonstrar unidade nacional em defesa da nossa agricultura”.

O acordo UE-Mercosul, votos e setor agrícola

Os Estados-membros da UE deram sinal verde provisório na sexta-feira para um acordo, que seria o maior acordo de livre comércio de sempre, concluído após mais de 25 anos de negociações.

A França votou contra, juntando-se a Polónia, Hungria, Irlanda e Áustria, mas o bloqueio não alcançou o apoio mínimo para impedir a aprovação provisória, porque o tratado exige apenas maioria qualificada entre os Estados-membros para avançar.

O governo obteve, porém, concessões de Bruxelas para mitigar impactos sobre a agricultura, mas setores e opinião pública rural se mobilizaram contra o texto, temendo aumento de importações de alimentos baratos, como carne de vaca, aves e açúcar.

Consequências geopolíticas e próximos passos

Defensores do acordo, incluindo Comissão Europeia, Alemanha e Espanha, defendem que a medida ajuda a compensar perdas com tarifas dos EUA e reduz dependência da China, além de garantir acesso a minerais críticos.

Para que o acordo entre definitivamente em vigor, o texto ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, enquanto a crise política doméstica na França pode alterar o ritmo e o tom das negociações internas.

Com o Parlamento sem maioria governista e um orçamento de 2026 já atrasado, a gestão do tema ficará no centro do debate político francês até as eleições de 2027, com impactos eleitorais potenciais para a RN e demais forças políticas.

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