Presidente dos EUA afirma que empresas interessadas no petróleo da Venezuela terão de negociar diretamente com Washington, receitas ficarão sob controle americano
O presidente dos Estados Unidos disse a executivos do setor de energia que o país vai negociar vendas do petróleo da Venezuela e que a China, principal compradora do país sul-americano, “pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”.
Trump afirmou ainda que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, em um acordo que, segundo ele, já começou a ser implementado e terá as receitas controladas por Washington.
As declarações foram feitas em reunião com altos funcionários e líderes de grandes petroleiras, conforme informação divulgada pelo g1
O que foi anunciado por Trump e o alcance do acordo
Segundo o presidente, empresas interessadas no petróleo da Venezuela terão de negociar diretamente com os Estados Unidos, e a venda será feita a preço de mercado. Trump disse que a Venezuela concordou em destinar a receita obtida com a venda do petróleo à compra exclusiva de produtos fabricados nos EUA, incluindo produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela.
Em uma postagem na rede Truth Social, Trump afirmou que essas compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, e que isso representa uma escolha sensata, positiva para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos.
Como serão as transações e o controle dos recursos
O Departamento de Energia dos EUA informou que as vendas de petróleo venezuelano começaram “imediatamente”, e continuarão por tempo indeterminado, e que toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
Em nota, o órgão declarou, “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”. O departamento acrescentou que os recursos serão depositados em contas controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Contexto político e militar das declarações
As declarações ocorreram poucos dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação, segundo relatos sobre a ação.
Trump afirmou que forças americanas prenderam Maduro em território venezuelano em uma operação que precedeu as negociações sobre o petróleo da Venezuela, e que o total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Impacto para a China, para a PDVSA e para o mercado
Antes das sanções americanas impostas em 2019, a participação da China nas exportações venezuelanas era menor, mas, segundo a matéria, “após as amplas sanções impostas pelos EUA ao país sul-americano em 2019, a participação da China subiu para 68% das exportações venezuelanas nos últimos anos“.
Trump afirmou que a China pode continuar comprando petróleo, mas, na prática, disse que as transações passarão pela negociação com os EUA, o que pode reduzir o fluxo direto para Pequim. A estatal PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo, e afirmou que as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
Um dia antes das declarações públicas, Trump disse ter fechado um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA, medida que, segundo ele, desviaria fornecimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção.
O anúncio e os detalhes operacionais levantam dúvidas sobre logística, prazos e aceitação internacional, temas que deverão ser acompanhados nas próximas horas por autoridades, bancos e empresas do setor.