EUA afirmam que receita das vendas ficará em contas controladas por americanos, Caracas concordaria em comprar produtos dos EUA, e China segue como grande compradora do petróleo da Venezuela
Em reunião com executivos de grandes petroleiras, o presidente dos EUA disse que empresas interessadas no petróleo da Venezuela terão de negociar diretamente com os Estados Unidos.
Ele afirmou que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela, e que a China “pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”.
As declarações foram feitas em um contexto de sanções, negociações e uma recente ação militar, e geraram anúncios sobre a administração da receita das vendas, conforme informação divulgada pelo g1.
O acordo e os números
Segundo o republicano, os EUA afirmaram ter fechado um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os americanos, uma mudança que desviaria fornecimentos da China.
O Departamento de Energia americano informou que “toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente”.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contas controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Impacto geopolítico e comercial
O anúncio tem impacto direto nas rotas comerciais do país sul-americano, cujo principal cliente tem sido a China, que respondeu por 68% das exportações venezuelanas nos últimos anos, segundo dados citados na matéria.
Trump afirmou que a Venezuela concordou em destinar a receita das vendas à compra exclusiva de produtos fabricados nos EUA, incluindo produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, entre outros.
As declarações ocorreram poucos dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro, e que deixou, conforme relatos, “Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação”.
Como serão as vendas e o destino dos recursos
O Departamento de Energia informou que as vendas começam “imediatamente”, e continuarão por tempo indeterminado, com o apoio de importantes empresas de comercialização de commodities e bancos para viabilizar as transações.
A petroleira estatal PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA e declarou que as partes discutem “termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron”.
Segundo as declarações oficiais, o petróleo será vendido a preço de mercado, transportado por navios de armazenamento e levado a terminais nos Estados Unidos, enquanto a gestão financeira ficará sob controle dos EUA para assegurar o uso dos recursos em benefício das populações envolvidas.
Especialistas consultados e observadores internacionais acompanham como bancos, traders e governos vão responder ao plano, especialmente depois de meses em que a Venezuela acumulou milhões de barris sem conseguir exportá-los em razão do bloqueio e das sanções.