quinta-feira, junho 4, 2026

Fraude no Banco Master: quatro fundos ligados ao crime organizado são investigados por esquema que inflou ativos e permitiu retorno de recursos ao dono

Share

Investigação sobre fraude no Banco Master aponta cadeia de transações que inflaram ativos, usaram fundos de liquidez como garantia e motivaram liquidação extrajudicial

A apuração envolve operações financeiras complexas e concentrações elevadas de risco, que, segundo o Banco Central, comprometeram a solvência da instituição.

Autoridades e técnicos detectaram uso de fundos de investimento como garantia, no que é descrito como uma estrutura para maquiar balanços e sustentar capitalizações.

As informações reunidas pelo regulador e encaminhadas ao Ministério Público Federal motivaram a abertura de investigações e procedimentos administrativos, conforme informação divulgada pelo g1.

Como a suposta estrutura funcionava

Quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado aparecem em suspeita de fraude do Banco Master, segundo a apuração inicial.

Entre mecanismos apontados estão operações estruturadas de crédito corporate que serviam para inflar ativos, e garantias lastreadas em fundos que, em tese, deveriam ter função de liquidez.

No documento do Banco Central constam trechos como, “entre julho de 2023 e julho de 2024, o Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões, com elevada concentração em poucos clientes e em desacordo com princípios básicos de seletividade, liquidez e diversificação de riscos”.

Também há a menção de que, “Parte dessas operações tinha como garantia fundos de investimento que, em tese, deveriam funcionar como fundos de liquidez”, o que agrava as suspeitas sobre a finalidade real desses recursos.

Indícios de crime e falhas de gestão

Trechos da chamada “Notícia de Fatos”, enviada pelo Banco Central ao MPF e obtida pelo blog do Valdo Cruz, apontam indícios de crimes e gestão deficiente por parte de administradores do grupo.

Os técnicos do BC registraram que o “gerenciamento inadequado desses riscos teria sido deliberado, para evitar a reavaliação dos ativos a valores mais próximos da realidade”, segundo o documento.

Além disso, “O valor inflado foi usado, segundo a apuração, para justificar aportes de capital exigidos pelo próprio Banco Central”, o que, se comprovado, caracteriza manipulação contábil com efeitos sistêmicos.

Liquidação e reações institucionais

Todo o histórico de transações e as irregularidades reunidas pelo BC integraram o processo que levou à liquidação extrajudicial do conglomerado Master, decretada em novembro, com a justificativa de esgotamento de alternativas de mercado e risco à solvência.

O caso chegou também ao Tribunal de Contas da União, onde o relator determinou uma inspeção técnica nos documentos do BC, medida que foi suspensa após reações e a abertura de processo de mediação.

Próximos passos e repercussões

Além das apurações administrativas, há movimentações judiciais e declarações públicas de envolvidos, incluindo pedidos de investigação por alegações diversas.

Entre as repercussões, o processo pode ampliar investigações sobre o uso de fundos como instrumento de alavancagem indevida e terá impacto na regulamentação e fiscalização de operações estruturadas.

O desdobramento das investigações e eventuais denúncias dependerá das análises do Ministério Público e dos órgãos reguladores, enquanto corre a verificação das responsabilidades civis e penais.

Leia Mais

Fique por dentro