quinta-feira, junho 4, 2026

Inflação do prato feito 2025, arroz e feijão caem, carne segue cara e especialistas alertam para alta do churrasco em 2026, entenda

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Como a inflação do prato feito fechou 2025 com alta de 2,9%, por que arroz e feijão ficaram mais baratos, e por que a carne pode subir em 2026, segundo IBGE e especialistas

A inflação de alimentos perdeu força em 2025, mas o prato feito do brasileiro registrou variações distintas entre itens básicos e proteínas, com impacto direto no orçamento das famílias.

Arroz e feijão tiveram quedas expressivas de preço por causa de safras maiores e clima mais estável no campo, enquanto a carne manteve patamares elevados, embora menos acelerada que em 2024.

As projeções dos analistas apontam estabilidade ou leves recuos para cereais e leguminosas, e nova pressão de alta sobre carnes em 2026, conforme informação divulgada pelo g1.

Carne bovina e perspectiva para 2026

A inflação da carne bovina desacelerou ao longo de 2025, apoiada por uma produção recorde no Brasil, mas a tendência é de alta em 2026. Segundo o IBGE, a inflação do contrafilé fechou 2025 com alta de 1,3%, após um salto de 20% registrado em 2024, e a picanha passou de 8,7% para 2,8%.

O Brasil registrou um recorde inédito de abate de fêmeas, superando, inclusive, o de machos pela primeira vez desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. Esse movimento elevou o preço do bezerro e está levando pecuaristas a priorizarem a retenção de fêmeas para reprodução, o que tende a reduzir a oferta ao longo do ano.

O CEO da Scot Consultoria, Alcides Torres, afirma, “O consumidor não vai ter refresco. Nós não vamos ter tanta produção como tivemos nos últimos três anos”, e alerta que a redução da oferta começou em outubro e deve se intensificar em 2026, principalmente no segundo semestre. Torres ressalta também que “Três fatores principais devem aquecer a procura interna em 2026: as eleições, a Copa do Mundo e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Isso vai se traduzir em maior consumo de proteína animal”.

Além disso, fatores climáticos da segunda metade do ano, com períodos mais secos, reduzem a disponibilidade de pasto e a quantidade de animais para abate, pressionando preços para cima.

Frango e ovos, consumo e dinâmica de preços

O início de 2025 viu forte alta no preço dos ovos, em parte por aumento do custo do milho e calor intenso. Em fevereiro, o preço do ovo chegou a subir 40% no atacado. Apesar do pico, os preços perderam força ao longo do ano e os ovos encerraram 2025 com aumento de 4%, após uma queda de 4,5% em 2024, conforme dados citados pelo g1 com base no IBGE.

A inflação do frango desacelerou de 10,3% em 2024 para 6% em 2025. O analista Fernando Iglesias, do Safras & Mercados, observa que a população tem priorizado proteínas mais baratas, como frango e ovos, tendência que deve se manter em 2026, porque “O brasileiro está com baixo poder de compra e isso se acentua em 2026 com juros elevados e nível alto de endividamento das famílias”.

Iglesias acrescenta que, por causa da alta demanda, é bem difícil que os preços do frango e dos ovos caiam neste ano, e que eventos políticos e regionais ajudam a manter a procura.

Arroz e feijão, oferta recorde e espaço para ajustes

O arroz ficou mais barato para o consumidor em 2025 após uma safra robusta. A colheita 2024/25 cresceu 20,6% em relação à temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, Conab. “Isso aconteceu porque os preços do arroz no campo subiram muito na safra anterior, o que resultou numa melhor rentabilidade para o produtor. Esse aumento foi o que motivou os agricultores a expandirem a área de cultivo e a investirem mais na safra seguinte”, diz Lucilio Alves, do Cepea.

Os preços ao produtor caíram muito mais do que ao consumidor, com recuo de -46% para o produtor na última safra, o que, segundo Cepea, deixa espaço para novas quedas nos supermercados no curto prazo. Para 2026, espera-se uma colheita menor, o que pode gerar uma “ligeira recuperação” dos preços no campo, sem grandes aumentos ao consumidor.

No feijão, houve comportamento distinto entre variedades. A produção de feijão preto cresceu 14% na safra 2024/25, com forte oferta no Paraná e Mato Grosso, e isso derrubou preços. Já a safra de feijão carioca diminuiu 10%, deixando os preços mais equilibrados. Segundo o pesquisador do Cepea, é possível esperar uma ligeira recuperação nos preços do feijão preto, enquanto o carioca deve manter-se mais estável.

O que esperar no prato e no bolso em 2026

Em números gerais, após subir 7% em 2024, a inflação de alimentos perdeu força em 2025 e fechou o ano com alta de 2,9%, conforme dados do IBGE citados pelo g1. Essa desaceleração foi puxada pela queda no preço de itens como arroz e feijão, mas não foi suficiente para aliviar totalmente o custo das proteínas.

Para 2026, a expectativa dos analistas é de estabilidade ou leve queda em cereais e leguminosas, dependendo das safras e do clima, e nova pressão de alta sobre carnes, impulsionada por menor oferta, maior retenção de fêmeas para reprodução e aumento da demanda interna em anos com eleição e Copa do Mundo.

Na prática, o consumidor deve observar variações por produto, com arroz e feijão tendendo a estabilidade</b), ovos e frango com pouca margem para queda, e cortes bovinos com maior probabilidade de alta ao longo do ano.

Essas projeções reúnem dados do IBGE, da Conab, e análises de Cepea, Scot Consultoria e Safras & Mercados, e trazem pistas sobre o comportamento da inflação do prato feito em 2026, com impactos diretos no orçamento das famílias brasileiras.

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