quinta-feira, junho 4, 2026

Acordo UE-Mercosul aprovado pela UE, entenda os 25 anos de negociações, o que muda, e os próximos passos para a entrada em vigor

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No acordo UE-Mercosul o texto prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral, regras para serviços e compras públicas, e ainda precisa de ratificação

O entendimento final entre União Europeia e Mercosul é o resultado de mais de 25 anos de negociações, com idas e vindas motivadas por mudanças políticas, pressões setoriais e debates ambientais.

O texto aprovado provisoriamente pela UE cria um roteiro para reduzir tarifas e harmonizar regras comerciais, mas a vigência depende de aprovações legislativas adicionais.

Conforme informação divulgada pelo g1, os próximos capítulos envolvem assinaturas formais e ratificação nos parlamentos, com debates intensos sobre impactos econômicos e ambientais.

Linha do tempo resumida

Tudo começou em 1991, quando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, e a União Europeia passou a ver o bloco como um parceiro estratégico.

Em 1994 a ideia de um acordo formal ganhou força, no contexto das discussões sobre a Área de Livre Comércio das Américas, e em 1995 os dois blocos assinaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional.

As tratativas comerciais começaram oficialmente em 1999, organizadas em frentes políticas, de cooperação e de livre comércio, mas logo surgiram impasses sobre subsídios agrícolas europeus e abertura industrial no Mercosul.

Em 2004 as negociações chegaram a um momento crítico, e entre 2004 e 2010 o processo passou por uma paralisação, por divergências internas e mudanças no cenário político das duas regiões.

Retomada, texto técnico e ajustes ambientais

O diálogo voltou com força em 2016, quando avanços em capítulos sobre tarifas, serviços, compras públicas e propriedade intelectual foram definidos, e em 2019 Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo político.

Naquele texto, o acordo previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral, além de regras comuns para serviços e compras públicas, e o tema ambiental passou a ganhar peso decisivo nas negociações.

Entre 2020 e 2022 a União Europeia exigiu compromissos mais rigorosos no combate ao desmatamento e na aplicação do Acordo de Paris, e em 2023 foi apresentado um instrumento ambiental adicional, com pontos aceitos e pontos criticados pelo Mercosul.

Aprovação pela UE, assinatura e etapas para vigorar

Os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), A decisão abre caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para o dia 17 de janeiro.

Por fim, em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a assinatura formal e para a criação da maior área de livre comércio do mundo, segundo o histórico das negociações.

Para entrar em vigor, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos, etapas que podem incluir condicionantes e reservas setoriais.

O que muda e as controvérsias

O acordo UE-Mercosul promete reduzir custos de comércio, com potencial para tornar produtos importados mais baratos, e ampliar oportunidades para exportadores sul-americanos no mercado europeu.

Ao mesmo tempo, setores agrícolas europeus questionaram o impacto concorrencial, e ONGs ambientais pediram garantias mais fortes sobre monitoramento e sanções em casos de desmatamento.

O texto final exige articulação política para conciliar interesses comerciais, compromissos ambientais e a necessidade de aprovação nos parlamentos, etapas que definirão o alcance prático do acordo UE-Mercosul nos próximos anos.

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