quinta-feira, junho 4, 2026

Acordo UE-Mercosul aprovado pela União Europeia, entenda os 25 anos de negociações, o que muda em tarifas e serviços, e os próximos passos até a ratificação

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Como a aprovação pela União Europeia abre caminho para a assinatura em 17 de janeiro, quais etapas de ratificação restam e quais pontos sobre tarifas, serviços e meio ambiente ficam em destaque no acordo UE-Mercosul

O Parlamento e os governos da União Europeia aprovaram provisoriamente o acordo com o Mercosul, decisão que permite avançar para a assinatura formal do tratado.

A assinatura está prevista para o dia 17 de janeiro, prazo que marca o começo de uma nova fase diplomática e legislativa entre os blocos.

Para entrar em vigor, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos, conforme informação divulgada pelo g1.

Linha do tempo e marcos das negociações

O pacto entre os dois blocos é resultado de mais de 25 anos de negociações, marcadas por ciclos de avanço e paralisação, mudanças políticas e ajustes técnicos.

Tudo começou em 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que criou o Mercosul.

Em 1995, a UE e o Mercosul assinaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, que definiu bases políticas e institucionais para o diálogo e a cooperação.

As negociações comerciais começaram oficialmente em 1999, organizadas em frentes de diálogo político, cooperação e livre comércio, e enfrentaram impasses, especialmente sobre subsídios agrícolas europeus e abertura industrial do Mercosul.

Entre 2004 e 2010 o processo ficou praticamente paralisado, por divergências internas e mudanças no cenário global, e só ganhou novo impulso em 2016, quando capítulos sobre tarifas, serviços e compras públicas foram negociados com mais intensidade.

Em 2019 foi anunciada a conclusão técnica do acordo político, mas resistências políticas e críticas ambientais adiaram a ratificação, e entre 2020 e 2022 a União Europeia exigiu compromissos ambientais mais rigorosos.

Um instrumento ambiental adicional foi apresentado em 2023, e o texto final foi consolidado em 2024, com ajustes jurídicos e articulação política que levaram à aprovação provisória pela UE em 2026.

O que prevê o acordo e quais são os números

O texto fechado entre Mercosul e União Europeia prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral e regras comuns para serviços e compras públicas, medida que visa facilitar o fluxo de bens e serviços entre os blocos.

Além de tarifas, o acordo inclui capítulos sobre regras de origem, propriedade intelectual, e mecanismos para compras públicas, com regras pensadas para harmonizar práticas comerciais.

As negociações também incorporaram compromissos ambientais, depois de pressões de países europeus, e o instrumento adicional apresentado em 2023 trouxe exigências relacionadas ao combate ao desmatamento e à aplicação do Acordo de Paris.

Próximos passos, resistências e impactos esperados

Com a aprovação pela UE, a assinatura prevista para 17 de janeiro marca apenas o início da tramitação final, pois, para entrar em vigor, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos.

Alguns países europeus com setores agrícolas fortes, como França, Polônia e Irlanda, continuaram a apresentar resistência em 2025, expondo o debate sobre competição e padrões ambientais.

Se ratificado, o acordo pode reduzir preços de produtos importados, abrir mercados para exportadores do Mercosul e gerar maior integração em serviços e compras públicas, embora impactos setoriais variem e dependam de salvaguardas e regras de transição.

Em síntese, a aprovação pela UE representa um passo decisivo para criar a maior área de livre comércio do mundo, mas a efetivação do acordo ainda depende de etapas legislativas e de acordos complementares sobre meio ambiente e aplicação de normas comerciais.

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