quinta-feira, junho 4, 2026

Trump pressiona petrolíferas a investir US$ 100 bilhões na Venezuela, proposta visa controlar petróleo venezuelano, mas empresas citam insegurança jurídica e confiscos

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Trump pressiona petrolíferas a investir US$ 100 bilhões na Venezuela, proposta inclui refinamento de barris retidos, e líderes do setor pedem garantias legais e proteção contra confiscos

O presidente dos Estados Unidos defendeu que grandes petrolíferas aplicassem pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela, numa tentativa de ampliar a influência americana sobre a produção de petróleo do país, e, ao mesmo tempo, garantir fornecimento estratégico.

Executivos do setor responderam com cautela, citando riscos legais e lembrando episódios anteriores de expropriação de ativos na Venezuela, o que torna investimentos de grande porte incertos no momento.

As declarações sobre o plano americano, e sobre vendas de petróleo retido ao mercado, foram apresentadas em uma reunião na Casa Branca, conforme informação divulgada pelo g1.

Reunião na Casa Branca e reação das empresas

Em encontro com altas lideranças do governo e dirigentes do setor, o presidente pediu que as gigantes do petróleo financiem a retomada e a expansão da exploração venezuelana, mas os presentes não se comprometeram.

O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, disse que investir na Venezuela hoje é, “simplesmente impossível“, lembrando que os ativos da empresa foram confiscados duas vezes, e que seriam necessárias “mudanças bastante significativas” para considerar um retorno.

Fontes do setor também citaram insegurança jurídica e o histórico de medidas governamentais na Venezuela como principais barreiras para aportes bilionários, mesmo diante de apelos presidenciais.

Oferta de petróleo, volumes e controle americano

Trump afirmou que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, sob um novo acordo com o país, após ação militar que prendeu Nicolás Maduro em território venezuelano.

Segundo o Departamento de Energia americano, as vendas começam “imediatamente”, e a receita da venda será depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.

O departamento declarou, “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”, e afirmou que os recursos serão geridos para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, em benefício de americanos e venezuelanos, a critério do governo dos EUA.

Negociações com China e destino das receitas

Trump disse ainda que empresas interessadas terão de negociar diretamente com os Estados Unidos, e declarou, “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela“, destacando abertura a negociações com o gigante asiático.

Historicamente, a China se tornou o principal comprador do petróleo venezuelano, chegando a aproximadamente 68% das exportações do país após sanções impostas pelos EUA em 2019, segundo dados citados nas negociações.

O presidente também afirmou que a Venezuela concordou em destinar a receita obtida com a venda do petróleo para compra exclusiva de produtos fabricados nos EUA, incluindo itens agrícolas, medicamentos e equipamentos, e melhorias na rede elétrica e instalações de energia.

Riscos jurídicos, memoriais de confisco e impacto para mercados

Executivos consultados enfatizam que qualquer movimento de investimento em larga escala depende de garantias legais claras, proteção contra novas expropriações, e de estabilidade institucional na Venezuela.

Além do apelo ao capital privado, a administração americana planeja controlar a logística, “o petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, segundo declaração oficial citada nas negociações.

Analistas destacam que, mesmo com volumes relevantes, como os 50 milhões de barris mencionados, a viabilidade econômica e política dos negócios depende de acordos duradouros e da reconciliação entre investidores e o risco-país, e o desfecho influenciará fluxos globais de petróleo e relações geopolíticas na América Latina.

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