quinta-feira, junho 4, 2026

Ovos em Queda: Produtores de Ovos Enfrentam Crise com Insumos Altos e Preços Baixos, Análise da USP Revela Impacto no Poder de Compra

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Ovos: Insumos em Alta e Queda nas Cotações em Novembro Reduzem Poder de Compra do Produtor, Analisa USP

Uma análise recente do Centro de Pesquisas de Nutricionais Aplicadas (Cepea), ligada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, aponta um cenário desafiador para os produtores de ovos no Brasil. A combinação de alta nos custos de produção, especialmente do milho, e a queda nas cotações dos ovos em novembro de 2025 tem impactado diretamente o poder de compra dos avicultores.

O preço médio do ovo branco registrou uma queda de 6% em novembro, alcançando R$ 131,48 por caixa com 30 dúzias. Paralelamente, o preço do milho, um dos principais insumos para a ração das aves, apresentou uma leve alta, passando de 67,52% para 70,30% entre meados de novembro e o início de dezembro de 2025, segundo dados compilados pelo Cepea.

Essa situação, detalhada em um balanço divulgado pelo Cepea, contrasta com o primeiro semestre de 2025, quando o mercado de ovos e a exportação apresentaram bons resultados. No entanto, o cenário começou a mudar a partir de julho, com a primeira queda nos embarques de ovos em 2025. Conforme informação divulgada pelo g1, a redução de 20% nas vendas para o exterior naquele mês foi motivada principalmente pela diminuição de 31% na quantidade de ovos exportados para os Estados Unidos.

Queda nas Exportações e Demanda Doméstica

Apesar do recuo em julho, o volume de ovos exportados entre janeiro e agosto de 2025 ainda superou significativamente o mesmo período de 2024, com um aumento de 192,2%. O montante embarcado já superou em 75% o total exportado em todo o ano anterior. No mercado doméstico, agosto de 2025 viu uma alta nas cotações dos ovos, impulsionada pelo fim das férias escolares e pelo aumento do consumo no início do mês.

Contudo, o cenário de preços mais baixos já se configurava em junho, quando os preços atingiram o menor patamar diário em diversas regiões produtoras. Essa desvalorização foi atribuída à retração da demanda e ao aumento da oferta em algumas áreas, e não diretamente ao registro de Influenza Aviária de Alta Patogenecidade (IAAP) em granjas comerciais. A gripe aviária, embora tenha afetado o mercado internacional de aves, já não representava um impeditivo para o Brasil, que recuperou seu status sanitário.

Custos de Produção e Margens Reduzidas

A análise do Cepea também destaca o aumento nos custos dos principais insumos da atividade avícola em 2024, como milho e farelo de soja. Esses custos, somados à queda nos preços dos ovos, comprometeram a rentabilidade dos produtores. A necessidade de investir em instalações climatizadas e o aumento nos custos de embalagens também pressionaram a cadeia produtiva.

Diante desse cenário desafiador, os produtores enfrentaram margens reduzidas. A expectativa para 2025, segundo a pesquisadora, era de que uma menor disponibilidade de ovos pudesse permitir o repasse mais intenso desses reajustes para as cotações, o que não se concretizou totalmente com a queda de novembro. A dificuldade de escoamento da produção em maio de 2025 levou ao aumento dos estoques nas granjas e à consequente desvalorização da proteína.

Impacto no Poder de Compra do Produtor

A combinação de insumos mais caros, como o milho, e a queda nos preços de venda dos ovos em novembro de 2025, conforme aponta a análise da USP, resultou em uma redução do poder de compra dos produtores. A dificuldade em repassar os custos elevados para o preço final do produto compromete a sustentabilidade financeira do setor, exigindo atenção e estratégias para mitigar esses impactos.

Agentes do setor em regiões como Bastos (SP), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE) relataram um ritmo mais lento nas vendas, o que contribuiu para o aumento dos estoques e a pressão sobre os preços. Algumas regiões chegaram a registrar o descarte de poedeiras mais velhas, uma medida para tentar controlar a oferta e sustentar os valores da proteína, mas que também pode afetar a produção futura.

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