Resultado de dezembro foi 2,8% e inflação anual recuou para 31,5%, após pico de 117,8% em 2024, com medidas de Milei, intervenção no câmbio e swap de US$ 40 bilhões influenciando os preços
A Argentina fechou 2025 com **inflação de 31,5%** no acumulado de 12 meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor, divulgado pelo Indec.
Em dezembro, o IPC registrou **2,8%** de alta, o quarto mês consecutivo de aceleração, acima dos **2,5%** de novembro.
Esses números mostram uma desaceleração forte em relação a 2024, quando os preços subiram, em média, **117,8%**, conforme informação divulgada pelo g1.
Como evoluiu a inflação em 2025
Ao longo de 2025, a inflação mensal manteve-se em torno de 2% a 3%, com poucas leituras abaixo de 2%, até que, a partir de maio, houve uma aceleração gradual nos preços.
O indicador oficial apontou recuperação frente ao ano anterior, mas a persistência de altas mensais entre 2% e 3% manteve pressões sobre o custo de vida e sobre expectativas inflacionárias.
Impacto do ajuste econômico nos preços
O governo de Javier Milei promoveu um ajuste amplo, com corte de subsídios a água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais, o que elevou os preços ao consumidor.
As medidas também incluíram paralisação de obras federais e suspensão de repasses a estados, ações que explicam parte do aumento inicial de preços, e, ao mesmo tempo, contribuíram para superávits fiscais e atração de parte dos investidores.
Crise política, queda do peso e efeito sobre a inflação
No segundo semestre de 2025, uma crise política gerada por um escândalo envolvendo Karina Milei, irmã do presidente, afetou as expectativas e a confiança no governo.
Após derrota em eleições da província de Buenos Aires, o peso despencou, chegando a ser cotado a **1.423 por dólar**, e encerrou o ano em **1.451,50**, com desvalorização próxima de 40% no ano, pressionando novamente a inflação.
Apoio financeiro dos EUA e acordo com o FMI
Em meio à volatilidade, o governo argentino anunciou um acordo de swap cambial de **US$ 20 bilhões** com os Estados Unidos, e recebeu a promessa de outro incentivo do mesmo valor, totalizando **US$ 40 bilhões**, medida que aumentou o volume de dólares nas reservas e ajudou a conter a disparada do dólar.
Além disso, em abril de 2025, a Argentina obteve um acordo de **US$ 20 bilhões** em empréstimos com o FMI, com a primeira parcela de **US$ 12 bilhões** liberada poucos dias depois, um voto de confiança no programa econômico do governo.
Medidas recentes e perspectivas
Para ampliar a oferta de dólares, o governo e o Banco Central adotaram medidas monetárias, fiscais e cambiais, incluindo flexibilização do uso de dólares e autorizações para sacar recursos mantidos fora do sistema financeiro sem declaração obrigatória.
O objetivo declarado é estabilizar a inflação, fortalecer reservas, melhorar o câmbio e atrair investimentos, enquanto o presidente busca manter a inflação mensal abaixo de 2%, meta que ainda enfrenta desafios diante da volatilidade e das pressões de preços.
Os dados citados e os fatos sobre câmbio, apoio internacional e indicadores sociais foram divulgados pelo g1, com base em informações do Indec e de comunicados oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.