Balança comercial da China mostra força nas exportações fora dos EUA, com crescimento em dezembro, superávits mensais acima de US$ 100 bilhões e riscos de capacidade ociosa
A balança comercial da China fechou 2025 com um superávit recorde de US$ 1,189 trilhão, apoiado pelo aumento de vendas para mercados fora dos Estados Unidos, enquanto produtores buscam escala global para se proteger de tarifas e tensões,
as políticas de diversificação para o Sudeste Asiático, África e América Latina têm ajudado a mitigar o impacto das barreiras comerciais americanas, e o yuan permaneceu estável após os números,
o valor das exportações e o desempenho do comércio externo contrastam com a fraca demanda interna e a capacidade ociosa que preocupam analistas, conforme informação divulgada pelo g1.
Superávit recorde e números-chave
O superávit comercial anual da potência industrial atingiu US$ 1,189 trilhão, um montante equivalente ao PIB de uma das 20 maiores economias do mundo, segundo dados alfandegários divulgados em 14 de janeiro de 2026.
Em dezembro, as exportações chinesas cresceram 6,6% em valor em relação ao mesmo mês do ano anterior, acima da previsão de economistas, enquanto as importações subiram 5,7%, também superando estimativas.
Os superávits mensais ultrapassaram US$ 100 bilhões sete vezes em 2025, um aumento notável em relação a 2024, o que mostra que medidas protecionistas aplicadas pelos EUA tiveram efeito limitado sobre o comércio da China com o resto do mundo.
Para onde foram as exportações
As exportações para os EUA caíram 20% em dólares em 2025, e as importações provenientes dos EUA recuaram 14,6%, enquanto fabricantes chineses aumentaram participação em outros mercados,
as exportações para a África saltaram 25,8%, para o bloco ASEAN subiram 13,4%, e os embarques destinados à União Europeia cresceram 8,4%,
essa realocação geográfica ajudou a formação do superávit recorde e reforçou a estratégia de criar centros de produção no exterior para reduzir custos e tarifas.
O papel das políticas e das tarifas
Autoridades chinesas apontam que, com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade de resistência do país foi ampliada, conforme declarou Wang Jun, vice-ministro da administração aduaneira chinesa, “Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente aprimorada”.
Especialistas destacam que a competitividade se deve tanto a ganhos de produtividade quanto a fraquezas internas, segundo Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, “A economia da China continua extraordinariamente competitiva”.
Ao mesmo tempo, há percepção de risco, porque “O aumento dos superávits comerciais chineses pode elevar as tensões com os parceiros comerciais, especialmente aqueles que dependem das exportações de produtos manufaturados”, disse Neumann.
Riscos internos e próximos passos
Analistas alertam que o superávit recorde pode mascarar problemas domésticos, como a queda no setor imobiliário e a fraca demanda interna, e que a capacidade ociosa é um fator-chave a ser monitorado,
Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, afirmou que “O forte crescimento das exportações ajuda a mitigar a fraca demanda interna”, e que isso pode levar o governo a manter a política macroeconômica estável no curto prazo,
além de preocupações geopolíticas, a China também aumentou exportações de terras raras em 2025 ao nível mais alto desde pelo menos 2014, mesmo após restrições a embarques de alguns elementos, o que mostra a complexidade das alavancas comerciais de Pequim.
O impacto das ameaças externas
Analistas lembram que medidas anunciadas pelos EUA continuam a influenciar decisões globais, e que a ameaça de tarifas adicionais pode reabrir tensões, conforme observou Zichun Huang, economista para a China da Capital Economics, “A ameaça de Trump de impor uma tarifa de 25% aos países que fazem negócios com o Irã ressalta o potencial para o aumento das tensões comerciais entre os EUA e a China”.
Para 2026, a balança comercial da China deve continuar sendo observada de perto, porque o país seguirá tentando equilibrar crescimento externo robusto com a necessidade de reativar a demanda interna e reduzir críticas sobre exportações excessivas e capacidade ociosa,
o desafio será sustentar ganhos de participação no mercado global sem exacerbar tensões com parceiros comerciais e sem depender permanentemente de mercados externos para compensar fraquezas internas.