quinta-feira, junho 4, 2026

Superávit comercial da China cresce a US$ 1,189 trilhão em 2025, com exportações deslocadas para ASEAN, África e UE diante das tarifas de Trump

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O superávit comercial da China em 2025 foi impulsionado pela expansão das exportações para mercados fora dos EUA, enquanto preocupações sobre capacidade ociosa e práticas comerciais ganham importância

O comércio externo da China fechou 2025 com um resultado histórico, sustentado por vendas maiores a mercados como Sudeste Asiático, África e União Europeia.

Apesar da queda das remessas para os Estados Unidos, produtores chineses ampliaram sua presença global para driblar tarifas e fricções comerciais, o que reforçou o superávit.

Os números e as reações dos analistas mostram ganhos e riscos ao mesmo tempo, conforme informação divulgada pelo g1.

Resultados e números chave

O superávit comercial anual da potência industrial atingiu US$ 1,189 trilhão, um valor equivalente ao PIB de uma das 20 maiores economias do mundo, segundo dados alfandegários divulgados.

Em dezembro, as exportações cresceram 6,6% em valor na comparação anual, acima da previsão de 3,0% feita por economistas consultados pela Reuters, enquanto as importações aumentaram 5,7%, superando a projeção de 0,9%.

Os superávits mensais ultrapassaram US$ 100 bilhões sete vezes no ano, um aumento significativo em relação a 2024, o que indica que as medidas comerciais dos EUA tiveram impacto limitado no comércio com outros mercados.

Mudança de destinos e efeitos das tarifas

As exportações para os EUA caíram 20% em dólares em 2025, enquanto as importações provenientes da maior economia do mundo recuaram 14,6%.

Ao mesmo tempo, os embarques chineses ganharam espaço em outras regiões, com exportações para a África saltando 25,8%, para o bloco ASEAN subindo 13,4% e para a União Europeia crescendo 8,4%.

Segundo analistas, empresas chinesas criaram centros de produção no exterior para reduzir custos e escapar de tarifas, e um yuan mais fraco também ajudou a sustentar a competitividade das exportações.

Citações de autoridades e economistas

Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, avaliou que, “A economia da China continua extraordinariamente competitiva“, e acrescentou que esse desempenho reflete ganhos de produtividade e sofisticação tecnológica, mas também “se deve à fraca demanda interna e à consequente capacidade ociosa“.

Wang Jun, vice-ministro da administração aduaneira chinesa, afirmou em coletiva que “Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente aprimorada“.

Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, destacou que “O forte crescimento das exportações ajuda a mitigar a fraca demanda interna“, e sinalizou que as autoridades devem manter a política macroeconômica estável no curto prazo.

Riscos para 2026 e implicações globais

Apesar do recorde, especialistas apontam desafios persistentes para Pequim, incluindo a necessidade de dissipar preocupações de capitais globais sobre práticas comerciais, e lidar com a dependência excessiva de produtos chineses essenciais.

O aumento dos superávits pode elevar tensões com parceiros que dependem de exportações manufaturadas, como observou Neumann, e decisões de outros governos, como a redução de incentivos fiscais para exportação no Reino Unido, mostram a pressão internacional por regras mais rígidas.

Além disso, a China começou a restringir embarques de alguns elementos de terras raras a partir de abril, enquanto as exportações desse setor atingiram o nível mais alto desde pelo menos 2014, ação vista por analistas como demonstração de influência nas negociações com os EUA.

O mercado reagiu aos números, com o yuan mantendo-se estável e os índices Shanghai Composite e CSI300 subindo mais de 1% nas negociações da manhã, sinalizando confiança de curto prazo entre investidores.

Para 2026, a incógnita é por quanto tempo a China continuará a compensar a fraqueza do mercado imobiliário e a fraca demanda interna exportando produtos competitivos e baratos, sem agravar atritos comerciais e sem resolver a capacidade ociosa que corrói a demanda doméstica.

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