Efeito imediato do pedido de falência da Saks Global, com acesso a financiamento de US$ 1,75 bilhão, troca no comando executivo e dúvidas sobre o futuro das marcas Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus
A Saks Global entrou com pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos, buscando tempo para reorganizar sua estrutura de dívidas ou encontrar um novo dono que evite o fechamento das lojas.
A empresa finalizou um pacote de financiamento e anunciou mudanças na diretoria, ao mesmo tempo em que afirmou que as lojas permaneceriam abertas por enquanto.
Estas informações constam da cobertura publicada pelo g1 sobre o caso, conforme informação divulgada pelo g1.
O que o processo judicial significa para a Saks Global
O pedido de falência tem por objetivo dar ao varejista de luxo espaço para negociar uma reestruturação da dívida com credores ou encontrar um novo proprietário, caso contrário, a empresa pode ser forçada a fechar.
Em documentos apresentados ao tribunal, a companhia estimou, em documentos apresentados ao Tribunal de Falências dos EUA em Houston, Texas, que seus ativos e passivos variam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões, informação que demonstra a escala dos desafios financeiros.
Apesar do cenário, a empresa informou que, por ora, as lojas seguirão abertas, enquanto executivos trabalham em um plano para recuperar liquidez e normalizar o abastecimento.
Financiamento emergencial, valores e prazos
O movimento incluiu a finalização de um pacote de financiamento de US$ 1,75 bilhão, desenhado para prover recursos imediatos e permitir operações durante o processo de reestruturação.
Segundo a companhia, o novo acordo de financiamento proporcionaria uma injeção imediata de US$ 1 bilhão por meio de um empréstimo de devedor em posse (debtor-in-possession) de um grupo de investidores, liderado por fundos citados pela imprensa como Pentwater Capital Management e Bracebridge Capital.
Além disso, a empresa informou que um financiamento adicional de US$ 240 milhões estaria disponível por meio de um empréstimo lastreado em ativos dos credores baseados em ativos, e que teria acesso a US$ 500 milhões de financiamento do grupo de investidores assim que sair com sucesso da proteção contra falência.
O objetivo declarado é completar a reorganização ainda este ano, mas o tribunal concedeu um prazo para a entrega das demonstrações financeiras do grupo, adiando a obrigação por 45 dias, até 13 de março de 2026.
Quem são os credores e o peso das dívidas
Entre os credores listados nos documentos, estão grandes casas de moda, contrato que reflete o papel central das marcas no estoque da rede de lojas.
Diversas marcas de luxo foram apontadas como credores não garantidos, com a Chanel listada com cerca de US$ 136 milhões, a proprietária da Gucci, Kering, com US$ 60 milhões, e o grupo LVMH com US$ 26 milhões.
A Saks Global também estimou que havia entre 10.001 e 25.000 credores, número que evidencia a complexidade da renegociação e do possível impacto em fornecedores e parceiros.
No final do ano passado, a companhia já enfrentava problemas de liquidez, e chegou a não conseguir pagar juros superiores a US$ 100 milhões aos detentores de títulos, situação que contribuiu para a aceleração do pedido de proteção judicial.
Gestão, aquisições e os fatores que levaram à crise
As dificuldades financeiras ocorreram pouco mais de um ano após um acordo que reuniu Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus sob o mesmo guarda-chuva, operação que foi estruturada com cerca de US$ 2 bilhões em financiamento de dívidas e contribuições de capital de investidores.
Richard Baker foi apontado como o arquiteto da estratégia de aquisições que acabou sobrecarregando a empresa com dívidas. Em resposta, a Saks Global anunciou a substituição na chefia executiva, com Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus, assumindo o cargo.
Foram também nomeadas Darcy Penick como diretora comercial e Lana Todorovich como chefe de parcerias globais de marcas, mudanças que procuram estabilizar operações e negociações com fornecedores.
Impacto nas lojas, clientes e próximos passos
A Saks enfrenta desafios operacionais, como prateleiras escassamente abastecidas que podem ter afastado clientes para concorrentes, enquanto a concorrência online e a venda direta de marcas reduziram parte do tráfego em lojas físicas.
Para gerar caixa, a empresa vendeu recentemente o imóvel da Neiman Marcus em Beverly Hills e buscou vender uma participação minoritária na Bergdorf Goodman.
O futuro da Saks Global depende agora das negociações com credores, da execução do plano de financiamento e de eventuais vendas de ativos, processos que terão impacto sobre funcionários, fornecedores e a presença das marcas de luxo no varejo americano.
As próximas semanas serão decisivas para definir se a reestruturação seguirá adiante com um novo plano de continuidade, ou se o desenlace será o fechamento de unidades e venda de ativos, desdobramentos que a indústria do luxo nos EUA acompanha de perto.