quinta-feira, junho 4, 2026

Do Banco Central ao STF, entenda como o caso Banco Master avançou, com bloqueios de R$ 5,7 bilhões, 42 mandados e a prisão de Daniel Vorcaro

Share

Linha do tempo detalhada do Banco Master, mostrando decisões do Banco Central, questionamentos do TCU, medidas sigilosas no STF, bloqueios de R$ 5,7 bilhões e 42 mandados

O caso começou com suspeitas sobre operações financeiras e a rápida deterioração da liquidez do banco.

Investigações da Polícia Federal apontaram para emissão massiva de CDBs, transações atípicas e buscas em endereços ligados a controladores e familiares.

O episódio ganhou dimensão institucional e judicial, com ações que envolveram BC, TCU e STF, conforme informação divulgada pelo g1.

Como se originou a crise e as tentativas de venda

O Banco Master cresceu com uma estratégia de captação considerada arriscada, oferecendo CDBs com taxas muito acima do mercado.

Parte dos investidores foi atraída pela proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante até R$ 250 mil por investidor.

A instituição chegou a emitir cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, sustentando passivos bilionários com ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldades.

Houve tentativas de venda, incluindo proposta do BRB que foi vetada pelo Banco Central, e, em 17 de novembro, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra com aporte de R$ 3 bilhões.

Investigações, prisão e medidas policiais

Poucas horas após o anúncio da venda, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, quando ele tentava deixar o país, segundo a investigação.

Na segunda fase das apurações, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão na operação chamada Compliance Zero, determinados pelo ministro Dias Toffoli.

Foram determinadas ainda medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, e, durante as ações, a PF apreendeu R$ 97,3 mil em espécie.

Os investigadores apontam possíveis fraudes, desvios de recursos e operações para aparentar liquidez, incluindo compra e venda de créditos sem documentação, com destaque para transações que envolveriam pagamento de R$ 12,2 bilhões ao BRB por créditos da empresa Tirreno.

Sobre a investigação, a defesa de Daniel Vorcaro divulgou a seguinte nota, na íntegra, “A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.”

Decisão do Banco Central, questionamento do TCU e sigilo no STF

O Banco Central instaurou administração especial temporária por 120 dias e decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado, ação que encerra as atividades da instituição e nomeia um liquidante para vender ativos e quitar credores.

No ofício que comunicou a medida, assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação foi justificada pela “situação econômico-financeira da instituição” e pela “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária“.

O Tribunal de Contas da União, por meio do relator Jhonatan de Jesus, chegou a solicitar inspeção sobre a liquidação, o que gerou reação do setor financeiro e levou a uma suspensão até o colegiado se manifestar.

O TCU e o BC negociaram os termos da verificação documental, e o caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal, sob sigilo, com ações determinadas pelo relator no STF, ministro Dias Toffoli.

Impactos políticos, repercussões e próximos passos

As investigações apontam, segundo a apuração, que muitas operações envolveram bancos e fundos de pensão, e que houve influência de políticos ligados a Vorcaro sobre essas instituições.

O blog do Valdo Cruz informou que a venda anunciada à Fictor foi descrita por investigadores como uma “bomba de fumaça” para tentar evitar a exposição dos negócios suspeitos.

Os próximos passos incluem diligências técnicas, preservação do sigilo do processo no STF e análise dos documentos autorizados, enquanto autoridades aprofundam apurações sobre fraudes, desvios e responsabilidades civis e criminais.

O caso seguirá acompanhando desdobramentos judiciais e administrativos, com impacto direto em debates sobre regulação, proteção de investidores e a atuação das autoridades financeiras.

Leia Mais

Fique por dentro