quinta-feira, junho 4, 2026

Banco Master: entenda como a liquidação, as suspeitas contra Daniel Vorcaro e as decisões do Banco Central, TCU e STF que levaram a bloqueios de R$ 5,7 bilhões

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Detalhes sobre a operação Compliance Zero, a prisão de Vorcaro, o sigilo no STF, as ações do Banco Central e do TCU, e os valores citados pela investigação

O caso do Banco Master cresceu em complexidade nas últimas semanas, com medidas que envolveram órgãos reguladores, o Judiciário e a Polícia Federal.

As apurações investigam emissão massiva de CDBs, transações consideradas suspeitas e bloqueios de bens e valores que superam cifras bilionárias.

As decisões que mudaram o curso do processo foram tomadas em diferentes instâncias, envolvendo contestações sobre competência e sigilo das informações.

conforme informação divulgada pelo g1

Origem da crise e tentativas de venda

O crescimento acelerado do Banco Master ocorreu apoiado por uma estratégia de captação considerada arriscada pelo mercado, com oferta de CDBs a taxas muito acima das praticadas, atraindo recursos tendo como base a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

Segundo apurações, o Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs, parte aplicada em ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldade, e houve venda de créditos sem comprovação de pagamento.

Para tentar sair da crise, o controlador buscou compradores, e uma proposta da Fictor Holding Financeira previa aporte imediato de R$ 3 bilhões, após o BC ter vetado, anteriormente, operação com o BRB.

Prisão de Vorcaro e investigação criminal

Poucas horas após o anúncio de venda à Fictor, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro ao bater o embarque em avião particular com destino a Malta, segundo os investigadores.

As investigações, conduzidas na operação chamada de Compliance Zero, incluíram mandados de busca e apreensão, apreensões de bens, e foco em possíveis fraudes, desvios de recursos e tentativas de interferência em decisões regulatórias.

Na segunda fase, a PF chegou a cumprir 42 mandados, apreendeu R$ 97,3 mil em espécie, e determinou sequestros e bloqueios que somam mais de R$ 5,7 bilhões, sob autorização do ministro Dias Toffoli.

Decisão do Banco Central e reação do TCU

O Banco Central instaurou administração especial temporária por 120 dias no Banco Master e decretou a liquidação extrajudicial, encerrando as atividades e nomeando um liquidante para vender ativos e pagar credores conforme a lei.

O ofício assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, justificou a liquidação pela “situação econômico-financeira da instituição” e por “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária”.

O caso foi questionado no Tribunal de Contas da União, que chegou a determinar uma inspeção, mas recuou e negociou diligências técnicas, num impasse que envolveu defesa da autonomia do BC por entidades do setor financeiro.

Sigilo no STF, implicações e posicionamentos

Por determinação do ministro Dias Toffoli, a investigação foi concentrada no Supremo e partes do inquérito correm em sigilo, com a justificativa de preservar informações sensíveis que poderiam afetar o sistema financeiro.

Toffoli autorizou medidas como acareações e a suspensão de procedimentos em instâncias inferiores, e determinou atos que incluíram busca e apreensão contra alvos em vários estados, entre eles endereços na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

O caso também trouxe à tona episódios que levantaram questionamentos sobre proximidade entre membros do Judiciário e o banco, como a notícia de um contrato entre o Banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, e a viagem de Toffoli em voo que transportou um advogado ligado à defesa de um dos diretores.

Alvos, bloqueios e defesa

Além de Vorcaro, alvos das ações incluíram familiares e empresários, com buscas em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, e menções a investidores como Nelson Tanure e João Carlos Mansur.

Em nota citada nos autos, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou:

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.”

O processo segue sob acompanhamento de autoridades e instituições do sistema financeiro, com desdobramentos que podem influenciar decisões regulatórias e a percepção do mercado sobre risco, enquanto as investigações continuam em curso.

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