quinta-feira, junho 4, 2026

Como as conexões de Daniel Vorcaro e do Banco Master com políticos e ministros ganharam destaque, buscas da PF e bloqueio de R$ 5,7 bilhões

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PF cumpre 42 mandados em seis estados na segunda fase da Operação Compliance Zero, bloqueia bens acima de R$ 5,7 bilhões e investiga contratos e relações políticas ligadas ao Banco Master

Daniel Vorcaro, fundador e ex-CEO do Banco Master, voltou ao centro das atenções após nova fase de investigações da Polícia Federal nesta quarta-feira, com buscas em endereços de familiares e parceiros ligados ao banco.

Foram cumpridos mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e o ministro Dias Toffoli, do STF, determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, conforme a decisão judicial.

As apurações envolvem suspeitas sobre venda de carteiras de crédito e contratos celebrados pelo Master, além de várias conexões políticas e jurídicas que aumentaram a repercussão do caso, conforme informação divulgada pelo g1.

Segunda fase da Operação Compliance Zero e alvos das buscas

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta a segunda fase da Operação Compliance Zero, com mandados de busca e apreensão em 42 endereços relacionados a Vorcaro, a parentes dele, e a executivos e investidores ligados ao banco.

Entre os alvos estão o pai, a irmã e o cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, além do empresário Nelson Tanure e do ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.

A defesa de Vorcaro afirmou que ele tem, citação, “colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes“, e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência“.

O risco ao sistema financeiro e dados que explicam a repercussão

Embora o Master figurasse no ano passado como o 22º maior banco brasileiro segundo o Valor Econômico, com R$ 63 bilhões em ativos, a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro expôs riscos ao sistema financeiro.

A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília, no valor de R$ 12,2 bilhões, reveladas pela Operação Compliance Zero em novembro.

O banco tinha cerca de 1,6 milhão de investidores e detinha R$ 41 bilhões em depósitos, que representavam cerca de um terço do caixa do Fundo Garantidor de Crédito, o que transformou a quebra do Master em um dos maiores abalos para o FGC na história do país.

Conexões políticas que aparecem nas investigações

Reportagens indicam que figuras políticas atuaram como ponte entre Vorcaro e tentativas de negociação da venda do Master, incluindo Ciro Nogueira, do PP, e Antonio Rueda, do União Brasil, que teriam ajudado a negociar a venda ao BRB.

O negócio com o BRB recebeu aval do CADE, mas foi vetado pelo Banco Central em setembro. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi intimado a depor no inquérito.

O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também chamou atenção por doações eleitorais, sendo apontado como maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro em 2022, com transferências de R$ 3 milhões e R$ 2 milhões, segundo apurações.

Laços com o meio jurídico e decisões no STF

As apurações também levantaram contratos e relacionamentos com advogados e escritórios próximos ao Judiciário. No celular apreendido de Vorcaro foi encontrado um contrato de R$ 129 milhões com o escritório da advogada Viviane Barsi de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

O documento, segundo reportagens, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, sem detalhar processos específicos, e indicava que o escritório representaria o banco “onde fosse necessário”.

Mensagens internas do Master indicavam que o pagamento ao escritório era tratado como prioridade, ainda que o contrato não tenha sido executado até o fim, por causa da liquidação do banco.

O ministro Dias Toffoli, do STF, assumiu a relatoria do inquérito, determinou o sigilo das investigações e passou a tomar decisões sobre o caso, após sorteio e pedidos de encaminhamento apresentados por defesa do ex-banqueiro.

Reações e próximos passos

Autoridades do setor financeiro defenderam a independência do Banco Central perante a repercussão do caso, e especialistas demonstraram preocupação com a capacidade de um banco de porte modesto de estabelecer influência extensa em ambientes políticos e institucionais.

Analistas ressaltam que, mesmo sem comprovação de ilegalidade nas conexões, a amplitude das relações de Vorcaro com políticos de diferentes espectros e com o meio jurídico elevou o impacto político e institucional das investigações.

A Polícia Federal e o STF continuam as diligências, e autoridades ainda analisam os bloqueios e os desdobramentos dos contratos e negociações que envolveram o Master, com possíveis novas fases da investigação à frente.

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