Saiba como mandados da Polícia Federal, bloqueios de bens que superam R$ 5,7 bilhões e a liquidação pelo Banco Central aproximaram a gestora das investigações relacionadas ao Master
A movimentação que levou a Reag ao centro das investigações combina medidas da Polícia Federal e uma decisão regulatória do Banco Central, em um recorte que envolve buscas, bloqueios e apreensão de bens de investigados.
Em operação que mira um suposto esquema de fraudes no Banco Master, foram cumpridos mandados em endereços ligados a pessoas da antiga estrutura da gestora, e houve determinação de indisponibilidade de bens.
A repercussão incluiu a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, interrompendo suas atividades no mercado.
conforme informação divulgada pelo g1
Histórico e tamanho da gestora
A Reag Investimentos foi fundada em 2013 por João Carlos Mansur e tornou-se, segundo registros públicos e reportagens, uma das maiores gestoras independentes do país.
A empresa, conforme apurado, chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais, e foi citada como a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.
O grupo controlava outras empresas, como a Reag Capital Holding e a CiabraSF, e expandiu sua atuação por meio de aquisições, crescendo em segmentos como fundos multimercado e FIDCs.
Quem é João Carlos Mansur e a ligação com as apurações
João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master.
Mansur tem histórico no mercado financeiro, com atuação em auditoria e gestão, e aparece nas investigações como pessoa ligada à antiga estrutura da gestora, o que motivou diligências da Polícia Federal.
Como as operações da Polícia Federal conectaram a Reag ao caso
A segunda fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, resultou em 42 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a Polícia Federal, superam R$ 5,7 bilhões.
Durante a operação, agentes apreenderam ainda R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie, e atingiram endereços em São Paulo e em outros estados, incluindo locais na Avenida Faria Lima.
A Reag já havia sido mencionada em outra apuração da PF, a Operação Carbono Oculto, que tratou de esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, em que administradoras de fundos e estruturas financeiras foram usadas para ocultar recursos.
Liquidação pelo Banco Central e posicionamentos
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, destacando que a medida foi adotada após a constatação de descumprimento de normas legais e prudenciais.
Em nota oficial citada pela reportagem, o BC afirmou que foram identificadas, “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”, e que a decisão visa preservar investidores e a estabilidade do sistema financeiro.
O órgão também informou que a medida não atinge diretamente os fundos de investimento vinculados à empresa, que seguem existindo, mas precisarão ser transferidos para outras instituições habilitadas, e que os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis durante o processo.
Procurada, a Reag não se manifestou sobre a liquidação até o fechamento das informações, mas no site da holding mantém comunicado em que “atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais, sob a supervisão permanente de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central”.
No mesmo comunicado, a empresa afirma, em trecho reproduzido publicamente, “A REAG Capital Holding S.A. vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos”.
Com a liquidação e as medidas judiciais em curso, especialistas consultados indicam que os próximos passos incluem a transferência dos fundos a instituições habilitadas, apurações administrativas pelo BC e possíveis encaminhamentos às autoridades responsáveis por investigação criminal.