quinta-feira, junho 4, 2026

Reag e Banco Master, investigação da PF: como a gestora entrou no radar, conexão com R$ 299 bilhões sob gestão, 42 mandados e bloqueios de R$ 5,7 bilhões

Share

Entenda a ligação entre a Reag, a liquidação pelo Banco Central e as medidas da Operação Compliance Zero, com apreensões, mandados e valores bilionários

A entrada da gestora nas investigações é parte de uma trama que envolve buscas, bloqueios e o encerramento das atividades da empresa pelo regulador, com repercussões para fundos e clientes.

As medidas recentes associam a Reag a investigações sobre fraudes financeiras, e levaram o Banco Central a decretar liquidação extrajudicial da instituição, segundo nota do órgão.

No centro das apurações estão operações que, segundo a Polícia Federal, incluem mandados, sequestros e bloqueios que somam valores bilionários, conforme informação divulgada pelo g1

O que é a Reag e a mudança de nome

A empresa foi fundada em 2013 por João Carlos Mansur e tornou-se uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculo com bancos.

A Reag chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais, e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, medida que interrompe imediatamente as atividades da instituição como gestora e administradora de recursos.

Quem é João Carlos Mansur

João Carlos Mansur é fundador e ex-executivo da Reag, com cerca de 35 anos de experiência no mercado financeiro e carreira que inclui passagens por empresas de auditoria e gestão.

Mansur renunciou à presidência do conselho da Reag em setembro, após a empresa ter sido alvo de operações policiais, e figura entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero.

Na apuração, endereços ligados a Mansur foram submetidos a mandados de busca e apreensão, dentro do conjunto de medidas determinadas pela Justiça.

Operações, apurações e números que ligam a gestora às investigações

A Reag aparece citada em investigações distintas, incluindo a Operação Carbono Oculto, que em agosto buscou desarticular um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

Segundo as autoridades, o grupo investigado deixou de recolher mais de R$ 7,6 bilhões em impostos, e operou uma estrutura que envolvia fintechs e fundos para ocultar recursos.

Na Carbono Oculto foram identificados ao menos 40 fundos com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, muitos deles fundos fechados, com um único cotista, segundo as apurações.

Já na Operação Compliance Zero, a segunda fase incluiu 42 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a Polícia Federal, superam R$ 5,7 bilhões, e a apreensão de R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie.

A investigação apontou captação de recursos, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de executivos do Banco Master, e houve buscas em endereços na Avenida Faria Lima e em outros estados.

Liquidação pelo Banco Central e impactos práticos

O Banco Central informou que a liquidação foi adotada após constatação de “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”, citando falhas que comprometeram a capacidade de operar de forma regular e segura.

Segundo o BC, a medida não atinge diretamente os fundos de investimento vinculados à instituição, que seguem existindo, mas precisarão ser transferidos para outras instituições habilitadas.

O órgão também destacou que a instituição estava enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, e que esse grupo representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN, e que seguirá apurando responsabilidades, com possibilidade de sanções administrativas e envio de informações a outras autoridades.

A Reag, por sua vez, mantém no site da holding uma nota em que afirma que “atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais, sob a supervisão permanente de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central“.

Até o fechamento da reportagem, a empresa não havia se manifestado sobre a liquidação decretada pelo Banco Central, e as investigações seguem em curso, com medidas que podem provocar movimentações de ativos e mudanças na administração de fundos.

Leia Mais

Fique por dentro