Liquidação da CBSF explicada, impacto para mais de 80 fundos administrados, bloqueio de bens e possíveis sanções do BC no caso ligado ao Banco Master e investigados
A liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nome atual da Reag Trust DTVM, foi determinada pelo Banco Central por irregularidades administrativas e de compliance.
A medida encerrou de imediato as operações da companhia, mas não afetou diretamente os fundos que ela administrava, que precisarão buscar novas instituições para gestão.
O caso integra um conjunto de apurações relacionadas ao Banco Master e a operações financeiras sob investigação, com impactos operacionais e jurídicos para controladores e ex-administradores, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a liquidação da CBSF e as medidas do Banco Central
O Banco Central informou que a decisão foi “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.
A autoridade também apontou que a empresa “se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial”, ou seja, trata-se de instituição de pequeno porte sujeita a regras simplificadas.
O BC afirmou que a companhia representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN, e que, por lei, “os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados”.
Todas as operações da empresa foram encerradas de imediato, os fundos permanecem ativos, e será necessária a transferência de administração para outras instituições.
Ligação com a investigação do Banco Master e operações da Polícia Federal
A liquidação da CBSF ocorre em meio às investigações da Operação Compliance Zero, centrada no Banco Master, e à investigação sobre suposto esquema de fraudes financeiras.
O banco já havia sido submetido à liquidação extrajudicial pelo BC por problemas como emissão de CDBs com juros acima do padrão e exposição a investimentos arriscados, e há apurações sobre venda de carteiras de crédito ao BRB no valor de R$ 12,2 bilhões.
Na segunda fase da Operação Compliance Zero foram cumpridos 42 mandados, e determinadas medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, além da apreensão de bens de luxo e do celular do dono do Master.
Histórico do grupo Reag e quem é João Carlos Mansur
A Reag é um grupo financeiro independente que chegou a administrar recursos significativos, com a Reag Investimentos tendo, em outro momento, administrado R$ 299 bilhões de clientes variados.
João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, figura entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, e já havia renunciado ao cargo de presidente do conselho da gestora em setembro do ano passado.
No perfil profissional, Mansur declara ter estruturação de mais de 200 fundos e experiência em auditoria e gestão financeira, e a Reag ganhou visibilidade também fora do mercado financeiro ao patrocinar o Cine Belas Artes.
Operações anteriores e contexto das investigações
Em agosto, a Operação Carbono Oculto da Polícia Federal apontou um esquema bilionário no setor de combustíveis, com omissão de recolhimento de impostos superior a R$ 7,6 bilhões e uso de estruturas como fintechs e fundos para ocultar recursos.
A apuração indicou que, potencialmente, ao menos 40 fundos, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, teriam sido controlados pela organização, e que houve movimentação superior a R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024 em ao menos uma fintech relacionada.
Segundo as investigações, administradoras de fundos teriam conhecimento das irregularidades e contribuído para a ocultação de movimentações, o que motivou novas diligências e ações de autoridades.
Impacto para cotistas, prazos e próximos passos
Os fundos administrados pela CBSF permanecem juridicamente ativos, mas precisam encontrar outras administradoras, processo que pode afetar prazos de prestação de contas e a operacionalidade de carteiras.
O Banco Central informou que “o resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”.
Enquanto isso, autoridades seguem com bloqueios e medidas cautelares, e investidores e cotistas devem acompanhar comunicados oficiais, prazos e a indicação das novas instituições responsáveis pela administração dos fundos.