quinta-feira, junho 4, 2026

Entenda a liquidação da CBSF, ex-Reag, pelo Banco Central: motivos, impacto nos fundos administrados e conexão com o caso Banco Master

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Liquidação extrajudicial da CBSF, ex-Reag, motivada por graves violações às normas, encerra operações, mantém fundos ativos e amplia apurações no caso Banco Master

A decisão do Banco Central, anunciada nesta quinta-feira, encerrou imediatamente as operações da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nome atual da Reag Trust DTVM, administradora de fundos do grupo Reag.

A medida coloca a empresa em liquidação extrajudicial, e os recursos sob gestão dos fundos permanecem ativos, mas precisarão encontrar novas instituições para assumir a administração.

O Banco Central informou que a decisão foi tomada por irregularidades graves e que as apurações continuam em curso, conforme informação divulgada pelo g1.

O que disse o Banco Central

Em nota, o BC explicou que a liquidação foi “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.

O órgão afirmou ainda que a companhia “se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial”, o que indica porte pequeno e regras menos complexas, e que a empresa “representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN”.

O BC ressaltou que “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis” e que, pela lei, “os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados”.

Impacto prático para fundos e investidores

Com a liquidação, todas as operações da CBSF foram encerradas de imediato, mas os fundos administrados por ela não foram extintos, permanecendo ativos.

Os fundos terão de contratar novas administradoras, o que pode gerar prazos e custos adicionais para cotistas, e é preciso avaliar cada caso, por conta da diversidade de estratégias e estruturas dos veículos administrados.

A CBSF, controlada pelo Grupo Reag, atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos de investimento, segundo as informações disponíveis.

Quem é a Reag e qual o histórico

O grupo Reag é um conjunto de empresas financeiras independentes, e a Reag Investimentos, criada em 2013 por João Carlos Mansur, chegou a administrar R$ 299 bilhões de clientes e investidores.

A Reag foi citada em investigações da Polícia Federal, e houve reorganizações societárias nos últimos meses, incluindo o cancelamento do registro como companhia aberta da Reag Capital Holding e venda de ativos do grupo.

João Carlos Mansur figura entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

Conexão com operações da Polícia Federal

A Reag apareceu em apurações policiais ligadas a estruturas que, segundo autoridades, teriam facilitado ocultação de recursos, no contexto da Operação Carbono Oculto e da Operação Compliance Zero.

Na Operação Carbono Oculto, as investigações apontaram que “Ao menos 40 fundos, entre multimercado e imobiliários, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões” teriam sido usados para ocultar recursos, e que uma fintech chegou a ter “movimentação superior a R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024”.

Na apuração do caso do Banco Master, que já estava em instituição sob risco de falência, foram cumpridos “42 mandados de busca e apreensão”, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam “R$ 5,7 bilhões”.

Em fases da investigação, foram tomadas prisões e apreensões de bens, e a liquidação da CBSF amplia o escopo das apurações administrativas e penais envolvendo gestores e instituições ligadas ao caso.

O tema segue em desenvolvimento, e as medidas do Banco Central, incluindo o bloqueio de bens e a continuidade das investigações, apontam para novas ações contra responsáveis, conforme informação divulgada pelo g1.

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