quinta-feira, junho 4, 2026

Reag Investimentos: liquidação extrajudicial da CBSF DTVM pelo BC após investigação da PF, Mansur saiu e Arandu Partners assumiu o controle

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BC decretou a liquidação da CBSF DTVM, antiga Reag Trust, por descumprimento de regras prudenciais, cotistas têm segregação patrimonial e fundos poderão ser transferidos

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, empresa que administrava fundos do grupo Reag, informou o g1.

O movimento ocorre após investigação da Polícia Federal, que levou à saída do fundador João Carlos Falbo Mansur da gestão, e à venda do controle da gestora para a Arandu Partners, aponta a reportagem.

Nas próximas semanas, o liquidante nomeado pelo BC deverá avaliar a transferência dos fundos para outra administradora, enquanto aplicações e resgates ficam temporariamente congelados, conforme informação divulgada pelo g1.

O desmonte da Reag

Em setembro do ano passado, a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa, em meio ao avanço das apurações da Polícia Federal, que a relacionaram a suposto uso da gestora em esquema de lavagem de dinheiro, segundo o g1.

O cancelamento do registro na Comissão de Valores Mobiliários, aprovado em outubro de 2025, transformou a holding em empresa de capital fechado, e a companhia afirmou na época que se tratava de reorganização societária, reportou o g1.

Também houve renúncias e saídas de executivos durante as operações da PF, que incluíram mandados de busca e apreensão e investigações como a Operação Carbono Oculto, acrescenta a reportagem.

Venda do controle e novo controlador

Em setembro de 2025, João Carlos Falbo Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A., segundo o g1.

A Arandu Partners adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia, em uma transação estimada em R$ 100 milhões, conforme divulgado à CVM, informou o g1.

Desde dezembro de 2025, a gestora passou a operar na bolsa sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3, e a Reag Trust DTVM foi rebatizada como CBSF DTVM, sob supervisão do Banco Central, registra a reportagem.

Efeitos da liquidação para cotistas

Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, os cotistas dos fundos administrados pela Reag possuem garantia de segregação patrimonial, disse o g1.

Bolico afirmou, textualmente, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”, conforme a reportagem.

Ele acrescentou que o liquidante vai convocar uma assembleia para transferir os fundos para outra administradora saudável, e até essa definição resgates e aplicações ficam suspensos, ressalta o g1.

Suposto envolvimento com o Banco Master e outras investigações

A situação da Reag se agravou com apurações que a vinculam ao Banco Master, na Operação Compliance Zero, em que a PF investiga suposto esquema de fraudes financeiras, incluindo a estruturação e administração de fundos usados em operações atípicas, informa o g1.

As investigações também incluem a Operação Carbono Oculto, que apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis, e em que a gestora foi citada como prestadora de serviços a fundos utilizados para ocultação de patrimônio, segundo o g1.

Em nota, o Banco Central alegou que a empresa descumpriu, textualmente, “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”, conforme divulgado pelo g1.

Com a liquidação da CBSF DTVM, os investidores devem acompanhar atos do liquidante e as comunicações oficiais do BC e da nova administradora que venha a receber os fundos, completa a reportagem.

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