quinta-feira, junho 4, 2026

Gastos de Trump com programa DOGE de Elon Musk chegam a US$ 10 bilhões, mais de 154 mil afastados, quase 7% do funcionalismo e risco de punições

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O programa conhecido como DOGE, Departamento de Eficiência Governamental, comandado por Elon Musk nos primeiros meses do governo Trump, gerou custos elevados ao erário americano.

Segundo levantamento de uma organização de servidores, o governo manteve salários de trabalhadores afastados, em vez de reduzir gastos, enquanto serviços essenciais ficaram sem pessoal suficiente.

A análise aponta contradições entre a promessa de “eficiência” do programa e os efeitos práticos sobre o funcionalismo civil, criando um possível vácuo de prestação de contas, conforme informação divulgada pelo g1

Quanto custou e quem foi afetado

De acordo com a investigação da organização Public Employees for Environmental Responsibility, o DOGE gastou 10 bilhões de dólares ao afastar mais de 154 mil funcionários federais sob regime de licença remunerada ao longo de 2025.

Esse número representa, segundo o levantamento, quase 7% do funcionalismo civil dos Estados Unidos, e inclui servidores do Serviço Nacional de Parques e técnicos da Agência de Proteção Ambiental que atuavam em áreas de justiça ambiental.

Como funcionou a licença remunerada e as críticas legais

A organização afirma que o governo continuou pagando salários de funcionários que não estavam trabalhando, criando o gasto apontado. O uso prolongado dessas licenças, segundo a análise, viola a Lei de Licença Administrativa, que limita o afastamento remunerado a até dez dias úteis por ano, com exceções restritas.

Peer alega que o governo contornou esse limite ao criar novas categorias de licença, e que a prática, além de custosa, gerou um impasse jurídico para servidores que ficaram sem função definida.

Reações e declarações

Peter Jenkins, assessor jurídico da Peer, afirmou, em entrevista ao The Guardian, que, “Gastar mais de US$ 10 bilhões do dinheiro do contribuinte para impedir pessoas de trabalhar é uma forma absurda de administrar o governo“.

Pesquisadores destacam que manobras administrativas e lacunas legais ajudaram a manter o programa em funcionamento. Madeline Materna, pesquisadora da Universidade Stanford, declarou que, “Há estratégias que tornam extremamente difícil levar o caso aos tribunais ou a órgãos de controle, e isso explica por que a política avançou“.

Consequências e próximos passos

A Peer apresentou uma denúncia ao órgão responsável por fiscalizar gastos públicos do governo federal. Se a irregularidade for confirmada, dirigentes de agências podem ser punidos, mas a abertura de processos depende de autoridades ligadas ao próprio governo.

Especialistas apontam que a combinação de regras complexas, falhas regulatórias e mudanças administrativas criou um “buraco negro de prestação de contas”, o que pode dificultar investigações e responsabilizações formais.

Enquanto isso, críticos dizem que o resultado prático foi o oposto do prometido: em vez de reduzir despesas, o programa gerou um gasto bilionário, e deixou órgãos essenciais com falta de pessoal em áreas sensíveis, como parques nacionais e fiscalização ambiental.

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