quinta-feira, junho 4, 2026

Como o acordo UE-Mercosul vai mexer no bolso dos brasileiros, reduzir tarifas sobre vinhos, azeite, carros e remédios, e ampliar exportações em US$ 7 bilhões

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O acordo UE-Mercosul deve reduzir tarifas gradualmente, aumentar a oferta de produtos europeus no Brasil e alterar preços de carnes, vinhos, medicamentos e máquinas ao longo dos próximos anos

O fim de barreiras tarifárias entre União Europeia e Mercosul tende a tornar mais comum nas prateleiras brasileiras produtos tradicionais da Europa, como vinhos, azeites e queijos, com impacto nos preços ao consumidor.

Além disso, empresas brasileiras podem se beneficiar de insumos e tecnologias europeias mais baratos, enquanto exportadores ganham acesso mais fácil a 450 milhões de consumidores europeus, dentro de um mercado de 720 milhões.

As informações a seguir trazem dados e projeções sobre efeitos em preços, comércio e setores produtivos, conforme informação divulgada pelo g1

O que muda no dia a dia do consumidor

Com a redução ou eliminação gradual de tarifas, o brasileiro deve ver queda nos preços de itens como vinhos, azeites e queijos, e também maior oferta de marcas premium de chocolates e outros produtos de supermercado.

No caso dos vinhos, a Europa concentra os maiores produtores globais, como Itália, França e Espanha, e a redução da taxa deve tornar essas opções mais competitivas no mercado brasileiro, embora o processo de queda de preços seja gradual.

Produtos complexos como automóveis também podem ficar mais baratos, já que carros importados hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, mas a redução tende a ocorrer mais devagar por conta de cadeias globais de componentes.

Impacto em remédios, máquinas e insumos industriais

Medicamentos e produtos farmacêuticos, inclusive de uso veterinário, que são os principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, também devem sentir efeitos do acordo, com potencial para reduzir preços e ampliar oferta.

O acesso a máquinas, equipamentos e fertilizantes europeus mais baratos pode reduzir custos no campo e na indústria, estimulando modernização e investimentos em tecnologia.

Exportações brasileiras e estimativas econômicas

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais.

Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado, e Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.

No ano passado, as exportações do Brasil para o bloco alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões), e a balança segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil.

Setores que ganham e prazos para redução de tarifas

Setores agrícolas e industriais do Brasil podem ampliar vendas ao mercado europeu, com exemplos práticos no comércio de calçados e frutas.

Calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos. No caso da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.

Para consumidores e empresas, as mudanças prometem benefícios ao longo do tempo, mas exigirão ajustes da indústria e do agronegócio para competir e aproveitar as novas oportunidades comerciais.

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